
A gigante da moda rápida Shein está a adquirir a marca de vestuário Everlane, conhecida pelo seu modelo de venda direta ao consumidor. O negócio foi avaliado em cerca de 92 milhões de euros, um valor muito abaixo das avaliações que a marca alcançou no pico do comércio eletrónico. A informação foi avançada pela Bloomberg, indicando que o conselho de administração da Everlane aprovou a transação no último sábado.
Os detalhes financeiros revelam uma venda impulsionada por dívidas. A L Catterton, a principal acionista da Everlane, detinha passivos a rondar os 83 milhões de euros. Com este acordo, os acionistas comuns não vão receber qualquer compensação, configurando uma saída estratégica para cobrir os encargos financeiros acumulados pela empresa ao longo dos últimos anos.
O contraste de modelos de negócio
Fundada em 2011, a Everlane construiu a sua reputação com base na transparência radical, publicando os custos de materiais, mão de obra e transporte de cada peça. Chegou a estar avaliada em mais de 230 milhões de euros, com projeções de receitas a roçar os 506 milhões de euros até 2025. Contudo, o aumento dos custos de aquisição de clientes e o abrandamento do mercado de venda direta inverteram esta trajetória de crescimento.
Por outro lado, a Shein opera com base em algoritmos, produção em pequenos lotes e preços extremamente baixos. A marca asiática, que duplicou os seus lucros para mais de 1,8 mil milhões de euros, procura agora uma entrada na bolsa de valores, com Hong Kong a ser uma possibilidade forte na mesa. A aquisição da Everlane oferece à Shein acesso a um público norte-americano com maior poder de compra e historicamente focado na sustentabilidade, algo que contrasta de forma direta com o seu modelo atual.
O futuro das duas entidades
Os próximos doze meses ditarão de forma pública como a Shein vai gerir um ativo cujo valor assenta na transparência, mantendo em simultâneo a sua plataforma principal, que opera com uma base diametralmente oposta. Para a L Catterton, este é um desfecho reconhecido no mundo dos investimentos de capital privado: uma recuperação parcial de uma posição cuja estrutura financeira se tornou insustentável perante a evolução da indústria.












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