
A Rádio Popular poderá ter sido vítima de um grave incidente de segurança. Uma base de dados com cerca de 364 mil registos de clientes da conhecida cadeia de retalho está a ser comercializada em fóruns clandestinos, segundo informações partilhadas pela conta Daily Dark Web na rede social X.
A publicação detalha que a fuga de informação é extensa e inclui muito mais do que simples contactos. Entre os elementos alegadamente expostos encontram-se endereços de email, números de telemóvel e telefone, datas de nascimento, género, cargos profissionais e os números de identificação fiscal dos consumidores.
Informações detalhadas de encomendas e entregas
O que torna esta falha particularmente preocupante é a profundidade da informação partilhada. O atacante afirma ter acesso a um histórico completo de encomendas, metadados de vendas, preferências de marketing e detalhes de pagamentos e envios. O conjunto de ficheiros assemelha-se a uma exportação completa de um sistema interno de gestão de clientes.
Adicionalmente, existem campos específicos de operações logísticas, como a identificação de representantes de vendas, centros de distribuição, estado das encomendas e respetivos cancelamentos, identificadores de transportadoras e até horários preferenciais para as entregas ou idioma do cliente. Se a veracidade for confirmada, este nível de detalhe eleva os riscos de segurança a um novo patamar, ultrapassando um simples roubo de contactos.

Riscos para os consumidores e recomendações
Com acesso a moradas e ao histórico de compras, os piratas informáticos conseguem criar campanhas de fraude extremamente convincentes. A combinação da identidade pessoal com o comportamento de consumo facilita esquemas de roubo de identidade e ataques de engenharia social focados em burlar os utilizadores. As implicações de privacidade são igualmente graves, levantando potenciais infrações no cumprimento do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados.
Apesar de os cibercriminosos exagerarem frequentemente na dimensão das suas descobertas ou na frescura da informação nestes fóruns obscuros, a estrutura detalhada apresentada pelo atacante confere credibilidade à possibilidade de este possuir acesso a registos empresariais autênticos.
Neste cenário, é crucial que os consumidores mantenham a atenção redobrada. Deves desconfiar de mensagens falsas sobre entregas de produtos, contactos telefónicos de suporte fraudulentos que mencionem encomendas passadas e emails que utilizem os teus detalhes pessoais reais. O caso carece ainda de confirmação oficial por parte da empresa.
Atualização (25/05/2026):
Após a publicação deste artigo, a Rádio Popular contactou formalmente a redação do TugaTech para desmentir categoricamente qualquer comprometimento dos seus sistemas.
Em comunicado oficial, a empresa esclarece que realizou uma análise técnica detalhada à amostra de dados divulgada na dark web, tendo concluído que a estrutura, os campos apresentados e o tipo de informação exibida não coincidem com os sistemas utilizados pela organização. A Rádio Popular sublinha ainda que a referida amostra contém referências a dados que a empresa não recolhe, trata ou armazena em nenhum dos seus canais.
Paralelamente, as auditorias e análises internas efetuadas às infraestruturas da Rádio Popular não detetaram quaisquer indícios de acesso indevido, intrusão ou vulnerabilidades ativas. A empresa reforça, por isso, que não existe qualquer evidência técnica que sustente a associação feita pelo cibercriminoso entre a amostra de dados e a organização.












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