
A provedora de serviços cloud suíça decidiu blindar o seu futuro contra aquisições e pressões externas. No dia 13 de maio de 2026, o fundador Boris Siegenthaler concluiu a transferência dos direitos de voto maioritários para a recém-criada Infomaniak Foundation, uma entidade de interesse público. Segundo o comunicado da Infomaniak, esta mudança estrutural tem como objetivo garantir de forma permanente a independência da empresa, a privacidade dos utilizadores e os seus compromissos ambientais.
O fim das aquisições e o foco na soberania
A nova fundação detém agora ações especiais não transferíveis, o que lhe confere um poder de bloqueio definitivo sobre qualquer tentativa de venda, aquisição ou alteração de controlo da provedora tecnológica. Embora a empresa já tivesse implementado um modelo de propriedade partilhada com os funcionários, a liderança considerou que essa medida não era suficiente para mitigar os riscos associados a futuras sucessões ou à saída de elementos-chave.
A decisão surge num momento em que o mercado tecnológico europeu enfrenta vários desafios, desde o aumento das tensões geopolíticas até à constante aquisição de provedores de cloud regionais por parte de gigantes internacionais. Além de servir como acionista de referência e proteger a estrutura da empresa, a fundação vai apoiar projetos de interesse público focados na soberania digital, na transição energética e no desenvolvimento de tecnologia ética.
Proteção de dados e o impacto da inteligência artificial
O crescimento rápido da inteligência artificial e a imposição de legislações extraterritoriais foram também apontados como fatores determinantes para esta reestruturação da governança. Com a nova Carta de Acionistas, a Infomaniak formaliza princípios rigorosos que orientam a sua operação diária, com destaque para a transparência e a responsabilidade ambiental.
No que diz respeito à segurança da informação, a empresa reitera que todos os dados dos clientes permanecem alojados exclusivamente na Suíça e nunca serão comercializados. Qualquer utilização das informações para além da prestação dos serviços contratados, incluindo o treino de modelos de linguagem e inteligência computacional, exige agora um consentimento explícito e revogável por parte do utilizador. As operações diárias, os contratos e a gestão dos serviços mantêm-se inalterados, sob a alçada da atual equipa executiva.












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