
O setor tecnológico regista uma vaga massiva de despedimentos nos primeiros cinco meses de 2026. Até ao dia 25 de maio, as reestruturações motivadas pela transição para a inteligência artificial atiraram 142.985 trabalhadores para o desemprego, segundo os dados partilhados pela plataforma TrueUp. Este ritmo traduz-se numa média alarmante de 986 postos de trabalho eliminados diariamente.
Aceleração drástica face ao ano passado
Esta realidade surge em contraciclo com a promessa de inovação da indústria, que foca os discursos na eficiência dos algoritmos enquanto corta severamente na força humana. A comparação com 2025 mostra um cenário ainda mais sombrio. No ano anterior, a mesma plataforma contabilizou 783 rondas de despedimentos que afetaram 245.953 pessoas, o que representava uma média de 674 saídas por dia.
Com menos de meio ano decorrido em 2026, as 340 rondas já efetuadas mostram que a cadência diária de cortes é significativamente mais agressiva e não apresenta sinais de abrandamento.
Meta e gigantes tecnológicas lideram os cortes
O impacto faz-se sentir com particular força nas grandes corporações do setor. A Meta lidera as estatísticas recentes com a dispensa de 8000 funcionários a 20 de maio, correspondendo a 10% da sua força de trabalho. O cenário repete-se noutras empresas de renome: a Intuit cortou 3000 posições (17% do total), a Cisco eliminou 4000 postos a 13 de maio, o LinkedIn dispensou 875 pessoas (5% da empresa) e a Walmart Tech suprimiu 1000 empregos.
Esta vaga de destruição de emprego a uma velocidade ímpar tem gerado forte contestação, refletida nos assobios que os líderes destas empresas têm recebido durante discursos recentes dirigidos a novos recém-licenciados.
Razias extremas nas estruturas mais pequenas
Além das multinacionais, empresas de menor dimensão registam razias percentualmente mais severas na sua folha salarial. A ClickUp reduziu a equipa em 22%, enquanto a Dune Analytics cortou um quarto do seu pessoal. Casos mais extremos incluem a ZoomInfo com 600 saídas (20%), a AI21 com a dispensa de 60% dos trabalhadores (110 pessoas) e a SQream, que eliminou 100% da sua força de trabalho.
Se a média atual de quase mil despedimentos diários se mantiver, o panorama laboral tecnológico enfrenta uma fatura humana que os ganhos de produtividade dos sistemas automatizados não conseguem camuflar.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!