
A Amazon está a ser processada num tribunal federal em Seattle devido à funcionalidade de reconhecimento facial integrada nas suas campainhas inteligentes Ring. A ação judicial, interposta pelo residente Charles Sigwalt e detalhada na informação avançada, foca-se na ferramenta que identifica rostos familiares e levanta sérias preocupações sobre a recolha de dados biométricos.
Recolha de dados sem consentimento dos peões
A funcionalidade em causa recorre a inteligência artificial para identificar visitantes específicos, permitindo aos proprietários associar nomes aos perfis na aplicação. O sistema, que opera com maior precisão a distâncias entre 2,7 e 4 metros em câmaras de alta resolução, envia alertas personalizados em vez de notificações genéricas de movimento. A acusação sublinha que milhões de cidadãos americanos, desde estafetas a simples transeuntes, têm a sua informação facial recolhida sem qualquer consentimento ao passarem pelo ângulo de visão destas câmaras.
A fabricante já reagiu às acusações, afirmando que os dados recolhidos permanecem encriptados. O sistema apaga automaticamente os rostos não identificados após 30 dias sem deteção, enquanto os perfis com nome associado são eliminados ao fim de 180 dias de inatividade. Em regiões com leis biométricas mais rigorosas, como o Quebeque, Texas, Illinois e Portland, esta ferramenta já se encontra bloqueada pela própria empresa.
Histórico marcado por controvérsias de privacidade
O rastreio de indivíduos e até de animais através destas campainhas tem gerado bastante controvérsia. Durante o Super Bowl de 2026, a marca foi alvo de duras críticas após promover uma ferramenta de busca que rastreia a rede de câmaras de uma vizinhança à procura de um animal de estimação específico reportado como perdido na aplicação.
A empresa acumula um histórico de problemas legais relacionados com a privacidade dos seus clientes. Em 2019, piratas informáticos invadiram vários equipamentos e utilizaram os altifalantes bidirecionais para assediar famílias, proferir insultos, exigir resgates em Bitcoin e interagir diretamente com crianças. Cerca de quatro anos depois, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos processou a empresa por permitir que funcionários e subcontratados acedessem de forma indevida às transmissões de vídeo privadas, espiando os clientes nas suas próprias casas.












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