
Vários cibercriminosos estão a aproveitar o interesse global pela inteligência artificial para enganar utilizadores do Windows, levando-os a descarregar programas maliciosos. De acordo com uma investigação avançada pelo portal Hackread, com base em dados recolhidos pela FortiGuard Labs, a campanha distribui um ficheiro comprimido que finge ser um manual prático para a ferramenta Claude Code, mas que na verdade esconde um complexo esquema de infeção.
Como funciona a cadeia de ataque digital
O ataque começa quando a vítima abre um ficheiro de atalho contido no arquivo descarregado. Esta ação ativa comandos ocultos através de componentes nativos do sistema operativo, como o cmd.exe, que extraem dados dissimulados em falsos documentos PDF. Logo de seguida, um script em Power Shell entra em ação para transferir o código prejudicial para a pasta AppData do sistema.
Para evitar a deteção, este malware adiciona o disco principal e o próprio executável do PowerShell às exclusões do Microsoft Defender, deixando o antivírus nativo incapacitado. O processo utiliza ainda uma versão modificada do Auto Hotkey para camuflar a atividade sob o nome de um serviço legítimo de áudio da Realtek, injetando o código malicioso diretamente na memória do computador. Enquanto tudo isto acontece em segundo plano, são exibidos documentos reais sobre tecnologia para manter o utilizador distraído.
Utilização de inteligência artificial no desenvolvimento do código
Os analistas de segurança confirmaram que esta infraestrutura foi desenhada especificamente para garantir o acesso remoto prolongado aos sistemas afetados. A campanha espalha dois cavalos de Troia de acesso remoto distintos, incluindo o Async RAT, que permitem aos atacantes monitorizar o ecrã, registar os movimentos do rato e extrair informações básicas do sistema para servidores de comando e controlo externos.
Durante a análise dos scripts intermédios, os investigadores descobriram indícios claros de que os próprios atacantes recorreram a ferramentas de inteligência artificial generativa para construir o código rapidamente. Os scripts continham nomes de variáveis em chinês simplificado, linhas de comentários desorganizadas e emojis que não foram limpos antes do lançamento da campanha. Face a este cenário, os especialistas recomendam uma atenção redobrada a tarefas agendadas suspeitas e a rejeição de ficheiros de atalho provenientes de fontes não verificadas.












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