
A Meta apresentou a segunda versão do Brain2Qwerty, um sistema não invasivo que consegue descodificar sinais cerebrais produzidos durante a escrita e reconstruir palavras completas em tempo diferido. Através de um pipeline baseado em inteligência artificial, o projeto visa ajudar pessoas que perderam a capacidade de falar devido a doenças ou lesões neurológicas, eliminando a necessidade de intervenções cirúrgicas ou implantes no crânio. Conforme detalhado no comunicado oficial da empresa, a nova iteração tecnológica registou uma melhoria assinalável na precisão face aos testes anteriores.
Precisão e funcionamento nos testes laboratoriais
O dispositivo funciona com o auxílio de um scanner de magnetoencefalografia (MEG), um capacete especializado que capta os campos magnéticos gerados pela atividade cerebral. Nos testes realizados num centro de investigação em San Sebastián, Espanha, divulgados pela Gizmodo, o Brain2Qwerty v2 alcançou uma precisão média de 61 por cento na reconstrução de palavras, atingindo os 78 por cento no participante com melhor desempenho. Estes valores superam largamente a primeira versão do sistema, que não ia além dos 48 por cento, bem como os resultados obtidos com equipamentos de eletroencefalografia (EEG) tradicionais, cuja taxa de erro de caracteres se fixou nos 65 por cento. O sistema processa os dados ruidosos do scanner transformando-os primeiro em caracteres, estruturando-os depois em palavras com o suporte de um grande modelo de linguagem adaptado.
Limitações técnicas e a barreira da paralisia
Embora os avanços em laboratório sejam evidentes, a tecnologia ainda se encontra distante de uma aplicação clínica real ou de chegar aos hospitais portugueses. Atualmente, o scanner MEG ocupa uma sala inteira, acarreta custos elevados e o processamento não ocorre em tempo real, exigindo que a sessão de digitação termine por completo antes de gerar qualquer resultado textual.
O maior entrave reside num paradoxo funcional do próprio modelo: o Brain2Qwerty aprende com os sinais de indivíduos que estão ativamente a digitar. Como consequência, os pacientes com paralisia total — o público-alvo que mais necessita desta solução — não conseguem interagir com o sistema no formato atual. A equipa de engenharia admite que a transição para uma descodificação contínua e sem dependência de gatilhos mecânicos continua incerta. Para já, os métodos invasivos com implantes cirúrgicos, como os testados por marcas concorrentes, mantêm a liderança com taxas de sucesso na ordem dos 92 por cento, conforme aponta a The Register.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!