
Com o custo dos componentes informáticos a atingir valores proibitivos no mercado, um entusiasta decidiu criar a sua própria solução de armazenamento. O criador de conteúdos do canal polymatt desenvolveu uma unidade baseada em memória de núcleos magnéticos, uma tecnologia popular nos anos 50, que ele próprio apelida de o pior USB do mundo. Esta iniciativa surge numa altura em que a memória RAM regista valores cerca de quatro vezes superiores aos do ano passado, enquanto as unidades sólidas chegam a custar o dobro.
O regresso da tecnologia de núcleos magnéticos
A escalada de preços no hardware é uma consequência direta da expansão dos modelos de inteligência artificial. A enorme procura por processadores gráficos e por armazenamento SSD para o treino e execução destas plataformas tem afetado diretamente o consumidor final em Portugal e na Europa. Para fugir a esta realidade inflacionada, a alternativa recaiu sobre a engenharia do passado. A construção envolve uma matriz de pequenos anéis de ferrita interligados por cabos minúsculos. A polaridade magnética de cada anel determina o estado binário, alternando entre zeros e uns.
Tal como a tecnologia de armazenamento flash moderna, este sistema antigo é não volátil. Isto significa que a informação permanece retida nos anéis magnéticos mesmo quando o fornecimento de energia é interrompido. O formato final do dispositivo apresenta dimensões semelhantes a um disco externo tradicional de 2,5 polegadas.
Uma capacidade longe dos padrões atuais
O engenho artesanal destaca-se pela complexidade de montagem, mas a sua utilidade prática é quase nula para os padrões informáticos modernos. A unidade possui uma capacidade total de apenas 64 bits, o que equivale a uns meros 8 bytes de armazenamento. Na prática, este espaço é suficiente para guardar apenas oito caracteres de texto, impossibilitando a instalação de qualquer software ou jogo clássico. Para colocar em perspetiva, uma pen drive comercial básica de 128 GB comercializada nas lojas portuguesas tem uma capacidade 16 mil milhões de vezes superior.
Curiosamente, a reduzida capacidade desta criação específica não reflete o limite tecnológico da época. Em 1957, os computadores da IBM já utilizavam sistemas de núcleos magnéticos com capacidade para quase 150 mil bits. A grande diferença residia na escala das infraestruturas industriais, que pesavam centenas de quilogramas e ocupavam divisões inteiras, contrastando com o formato compacto do dispositivo montado de forma artesanal para esta experiência.












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