
A evolução da tecnologia está a ultrapassar a capacidade de adaptação da humanidade, um cenário que motivou um sério aviso por parte de António Guterres. Durante um evento recente em Genebra, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas apelou à criação urgente de regulamentação para o setor, sublinhando que os riscos recaem de forma particularmente pesada sobre as crianças, segundo a informação partilhada pela ONU News.
A urgência de proteger os mais novos
Embora reconheça os enormes benefícios em setores críticos como a saúde e a ciência, Guterres alerta que estamos perante uma encruzilhada. O ritmo vertiginoso do desenvolvimento tecnológico levanta uma questão essencial: será a humanidade a governar os sistemas ou deixaremos as máquinas assumir o controlo sem qualquer supervisão?
A preocupação central recai sobre o público infantil. O líder da organização defende a criação de um compromisso de segurança focado nas crianças, obrigando as empresas a provarem a segurança dos seus modelos antes de os disponibilizarem aos mais novos. A comparação traçada foi dura mas realista: enquanto os medicamentos e os brinquedos passam por testes rigorosos antes de chegarem às mãos de uma criança, a inteligência artificial entrou no quotidiano dos mais jovens praticamente sem qualquer barreira de proteção.
As novas regras globais propostas visam proibir categoricamente a geração de imagens sexualizadas envolvendo menores, um problema que já afetou plataformas e modelos conhecidos como o Grok. Adicionalmente, sempre que o sistema detetar sinais de sofrimento psicológico num utilizador, deverá existir um reencaminhamento obrigatório e imediato para um assistente humano, garantindo um acompanhamento adequado.
O monopólio do poder computacional
Além dos perigos para a segurança individual, existe uma clara divisão geopolítica. Guterres sublinhou que a concentração de poder está a agravar as desigualdades globais, deixando os países em desenvolvimento cada vez mais distantes da vanguarda tecnológica.
Atualmente, os Estados Unidos dominam cerca de 75% de todo o poder computacional utilizado para treinar e manter estes sistemas a nível mundial, enquanto a China detém 15%. Este monopólio de infraestrutura significa que as decisões sobre o percurso tecnológico, e consequentemente económico, estão nas mãos de um grupo muito restrito de nações e empresas. Para o mercado europeu e português, esta dependência externa reforça a urgência de estabelecer mecanismos de soberania digital e regulamentos locais fortes, de forma a não ficar à mercê de interesses de terceiros.
As discussões em curso na Suíça, apoiadas por um painel de quarenta especialistas independentes, servem de alicerce para a criação de um quadro normativo viável. As conclusões preliminares deste encontro vão orientar uma cimeira agendada para 2027, em Nova Iorque, onde se espera que sejam firmados compromissos mais definitivos para harmonizar o avanço tecnológico com a segurança da sociedade.












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