
A indústria dos smartphones prepara-se para enfrentar uma nova vaga de aumentos nos preços de retalho, impulsionada sobretudo pelo encarecimento drástico dos semicondutores à escala mundial. Segundo avançou o 9to5Google, a tecnológica norte-americana confirmou que a sua próxima família de dispositivos, a linha Pixel 11, não sairá imune à inflação dos componentes da cadeia de distribuição, desfazendo as expectativas dos consumidores que aguardavam a manutenção dos valores anteriores.
Esta tendência de agravamento não é exclusiva do ecossistema Android da marca de Mountain View, refletindo antes uma crise global de mercado que tem forçado várias fabricantes a reajustar as suas margens ou a transpor os custos para o cliente final.
O impacto financeiro da inteligência artificial
O principal catalisador para este cenário prende-se com a escassez global e a consequente escalada no custo das memórias RAM, um fenómeno alimentado pela forte procura de hardware por parte das empresas dedicadas à inteligência artificial. Shakil Barkat, Vice-Presidente de Dispositivos e Serviços da Google, explicou que a empresa conseguiu proteger os utilizadores do impacto direto até ao momento, mas admitiu que a economia subjacente mudou de forma fundamental.
Para ilustrar a gravidade da situação, o executivo destacou dados de um estudo recente da Morgan Stanley. A análise revela que o custo de cada gigabyte de memória RAM disparou de 2,80 dólares (cerca de 2,59 €) no ano anterior para uns impressionantes 12 dólares (aproximadamente 11,09 €) em 2026. Trata-se de um aumento superior a 300% que afeta transversalmente a produção de eletrónicos de consumo.
Smartphones mais caros e engenharia de software
Embora os detalhes comerciais e os valores exatos para o mercado europeu venham a ser formalizados apenas no evento oficial agendado para o dia 12 de agosto, as fugas de informação apontam para que os novos modelos sofram um acréscimo de cerca de 100 dólares na sua versão base. Como contrapartida para atenuar o descontentamento dos consumidores, a empresa planeia duplicar o armazenamento inicial, que passará a ser de 256 GB em vez dos tradicionais 128 GB. Contudo, a variante de entrada deverá integrar 12 GB de memória RAM em vez dos 16 GB originalmente previstos.
Para contornar as limitações físicas e financeiras do hardware sem comprometer a fluidez do sistema operativo, a Google revelou estar a trabalhar num processo de otimização estrutural. A estratégia passa por aplicar uma engenharia agressiva no código do Android e no ecossistema de aplicações associadas, reduzindo os requisitos de sistema de forma a garantir que o desempenho do telemóvel permaneça ágil, mesmo quando equipado com uma menor quantidade de memória física.












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