
A Oura Health, empresa finlandesa de tecnologia no setor da saúde, está a ser alvo de um processo coletivo nos Estados Unidos devido a acusações de publicidade enganosa. Segundo avançou o Mashable, a queixa alega que o anel inteligente Oura Ring não é capaz de medir com precisão as diferentes fases do sono, ao contrário do que a marca promete nas suas campanhas de marketing.
A ação judicial foi apresentada a 20 de agosto deste ano pela sociedade de advogados Clarkson Law Firm em representação de Madison Surber. A autora comprou um Oura Ring 4 Gold por 513,68 dólares (cerca de 470 €) a 22 de maio de 2025, confiando que o dispositivo forneceria dados exatos sobre as suas noites de descanso.
As alegações da queixa e a posição da empresa
De acordo com o documento submetido em tribunal, a Oura vende os seus dispositivos a partir de 300 dólares (cerca de 275 €) afirmando que conseguem ver o que apenas um laboratório de sono hospitalar consegue detetar, incluindo as 4 fases do sono: Acordado, Sono Leve NREM, Sono Profundo NREM e REM. A acusação salienta que identificar a fase exata em que o utilizador se encontra exige elétrodos no couro cabeludo e sensores nos olhos em ambiente clínico, tecnologia de que o anel carece.
Ainda assim, a empresa promove o produto com alegações de 79% de precisão nas suas medições e 95% de exatidão na determinação das fases de sono quando comparado com exames clínicos. O processo conta atualmente com mais de 100 membros na classe e exige uma indemnização superior a 5 milhões de dólares (cerca de 4,6 milhões de euros).
Em resposta, um porta-voz da Oura declarou que a empresa defende a sua ciência, investigação e alegações de precisão, discorda das acusações e vai defender-se em tribunal. A marca acrescentou que continuará a fornecer aos membros informações claras sobre o que o anel mede, o que estima e como esses dados devem ser utilizados.
Reação da comunidade e estudos de mercado
A revelação do processo dividiu os utilizadores no Reddit. Vários membros do fórum referem que nunca consideraram o anel um dispositivo médico, mas sim um acessório focado no bem-estar geral, enquanto outros criticam o tom agressivo do marketing em relação aos níveis de exatidão prometidos.
No ano passado, a Oura comemorou 10 anos de atividade, ultrapassando a marca dos 5,5 milhões de anéis vendidos e alcançando uma avaliação de 11 mil milhões de dólares (cerca de 10,1 mil milhões de euros). A própria empresa financiou anteriormente um estudo que comparou o Oura Ring Gen3, o Apple Watch Series 8 e o Fitbit Sense 2 com a polissonografia (PSG) em 35 participantes, no qual o modelo da Oura obteve a maior precisão entre os três dispositivos no segmento dos wearables.
Apesar de muitos utilizadores confirmarem que o dispositivo ajudou a criar melhores rotinas de sono e exercício, outros relatam ansiedade e stresse provocados pela necessidade constante de consultar relatórios e métricas de saúde.







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