
A Google começou a implementar alterações profundas nos resultados do seu motor de busca na União Europeia, numa medida forçada pelo cumprimento do Regulamento dos Mercados Digitais (DMA). Segundo avançou a Reuters, a tecnológica norte-americana classifica esta reformulação como a maior degradação da qualidade da Google Search nos seus 29 anos de história, alertando para um impacto direto na experiência dos utilizadores europeus.
Estas modificações surgem na sequência de uma multa de 460 milhões de euros aplicada pela Comissão Europeia em julho, após Bruxelas considerar que a empresa favorecia os seus próprios serviços em pesquisas sobre compras, hotéis, transportes e desporto. A comissão concedeu um prazo de 60 dias para a adaptação às regras, sob a ameaça de sanções diárias que poderiam atingir até 5% da faturação mundial da empresa.
Intermediários ganham destaque e preços em tempo real desaparecem
As mudanças afetam diretamente a apresentação de resultados sobre voos, hotéis, restauração e serviços comerciais. No formato anterior, o motor de busca apresentava diretamente os estabelecimentos com detalhes práticos, como localização, contactos e preços em tempo real. Com o novo esquema, o topo das pesquisas passa a ser ocupado por motores de busca e comparadores especializados (VSS), como a Booking.com ou a Expedia.
Abaixo desses serviços especializados figurará um carrossel de empresas e estabelecimentos, mas com a remoção de informações úteis, incluindo as tarifas atualizadas em tempo real. A Google defende que o modelo exigido pela Comissão Europeia beneficia os intermediários em detrimento dos negócios diretos, retirando visibilidade a hotéis e restaurantes locais.
Testes revelam insatisfação e perda de tráfego direto
Nick Fox, vice-presidente sénior de Conhecimento e Informação da Google, confirmou que as alterações se aplicam exclusivamente no espaço comunitário europeu. De acordo com o executivo, testes prévios realizados com milhões de utilizadores na Europa demonstraram níveis elevados de insatisfação, obrigando muitos utilizadores a reformular as suas pesquisas por falta de respostas diretas nos primeiros resultados.
Além disso, a tecnológica antecipa um impacto financeiro negativo para o tecido empresarial europeu. Alterações anteriores ligadas ao cumprimento do DMA já haviam provocado uma quebra de 30% no tráfego gratuito de reservas diretas para empresas da região. Com estas novas mudanças, a empresa prevê novos custos operacionais e perdas de tráfego, num histórico regulatório que já acumula 10 380 milhões de euros em coimas antitrust impostas pela União Europeia ao longo das últimas duas décadas.







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