
É um cenário clássico e frustrante: o telemóvel toca, o número é desconhecido ou identificado como suspeito, e o reflexo imediato é carregar no botão vermelho para recusar a chamada. Queremos que pare, e queremos que pare já. No entanto, especialistas em segurança digital alertam que este gesto, aparentemente inofensivo, pode estar a gerar o efeito oposto, convidando ainda mais chamadas indesejadas para o seu dispositivo.
A lógica por trás do assédio telefónico moderno mudou. Já não se trata apenas de alguém a tentar vender um produto num call center; trata-se de sistemas automatizados e algoritmos de fraude desenhados para verificar a atividade de milhões de números.
O sinal errado que enviamos aos robôs
Quando pressionamos o botão para rejeitar uma chamada, estamos a enviar um sinal de dados imediato para o sistema do outro lado da linha. Para os "robocallers" (sistemas de marcação automática), esta ação é ouro. Confirma não só que o número é válido e existe, mas também que há um ser humano ativo a monitorizar o smartphone naquele preciso momento.
Ao interagir manualmente com a chamada, mesmo que seja para a desligar, estamos inadvertidamente a validar a nossa linha numa lista de "alvos prioritários". O software de gestão destas chamadas interpreta a rejeição como um sinal de vida, reagendando novas tentativas para outros horários na esperança de que, eventualmente, atenda. Além disso, a rejeição manual envia a chamada mais rapidamente para o correio de voz, o que serve como uma segunda confirmação técnica de que a linha está funcional.
A estratégia do silêncio e as recomendações dos especialistas
Então, qual é a melhor defesa? A estratégia recomendada é a passividade total. Especialistas de empresas de cibersegurança de renome, como a Norton e a Kaspersky, sugerem que a ação mais segura é deixar o telefone tocar até que a chamada caia por si mesma.
O objetivo desta tática é enganar o sistema de rastreamento, fazendo com que o seu número pareça inativo, abandonado ou simplesmente não monitorizado. Se o robô não obtiver qualquer interação (nem atendimento, nem rejeição imediata), a probabilidade de o número ser removido ou despriorizado nas listas de marcação aumenta.
Atender e desligar imediatamente é igualmente contraindicado, pois estabelece uma conexão completa, confirmando a presença humana com ainda mais certeza do que a rejeição. Estas diretrizes, apoiadas também por reguladores internacionais como a FCC (o equivalente norte-americano à ANACOM), visam reduzir a "pegada digital" da sua linha telefónica nas bases de dados de spam.