
Numa escalada das tensões comerciais com impacto direto no setor tecnológico, a administração do Presidente Donald Trump anunciou na passada quarta-feira a imposição de uma nova taxa alfandegária de 25% sobre todos os bens e produtos importados da Índia. A medida, que entrou em vigor na sexta-feira seguinte, ameaça complicar a estratégia de produção de gigantes como a Apple, Google e Samsung, que tinham transferido grande parte do seu fabrico para o país asiático.
O porquê das novas taxas alfandegárias
Segundo a justificação de Trump, a medida é uma resposta às tarifas "excessivamente altas, entre as mais elevadas do mundo" aplicadas pela Índia. O presidente norte-americano criticou também os acordos comerciais da Índia com a Rússia, nomeadamente a compra de armamento e petróleo, numa altura em que "todos querem que a Rússia pare de matar na Ucrânia".
Atualmente, a Índia aplica tarifas de 39% sobre produtos agrícolas importados e de 45% sobre óleos vegetais. Com a nova taxa de 25%, a Índia junta-se ao grupo de países com as mais altas taxas de importação para o mercado norte-americano, um valor significativamente superior aos 15% aplicados a produtos da União Europeia.
A "fuga" da China para a Índia que agora sai cara
Esta decisão coloca os fabricantes de tecnologia numa posição delicada. Após a intensificação da guerra comercial com a China, muitas empresas transferiram a sua produção para a Índia precisamente para fugir às taxas alfandegárias. Esta estratégia transformou o país num polo de fabrico crucial, ao ponto de a maioria dos iPhones vendidos nos EUA serem agora fabricados em território indiano.
Dados recentes da consultora Canalys indicam que cerca de 44% de todos os smartphones importados pelos Estados Unidos são provenientes da Índia. A esperança de que esta deslocalização os protegeria das tarifas foi agora abalada pela nova política da Casa Branca.
A resposta da Índia e o futuro incerto
O governo indiano declarou que está a analisar as implicações do anúncio e que pretende continuar as negociações com Washington para alcançar um "acordo comercial bilateral justo, equilibrado e mutuamente benéfico".
Esta não é a primeira vez que a ameaça de tarifas paira sobre a Índia. Em abril, a administração norte-americana já tinha proposto uma taxa de 27%, da qual acabou por recuar. No entanto, o fracasso em encontrar um entendimento nas negociações comerciais culminou agora na aplicação efetiva destas novas e pesadas taxas, noticiadas pela BBC, deixando o futuro da produção tecnológica e os preços para o consumidor final numa grande incerteza.










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