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Meta facebook

Novos documentos judiciais não editados revelam alegações explosivas contra a gigante das redes sociais, sugerindo que a empresa encerrou investigações internas que comprovavam os efeitos nocivos das suas plataformas nos jovens e priorizou o lucro sobre a segurança.

Um processo coletivo movido por distritos escolares dos Estados Unidos contra a Meta, Google, TikTok e Snapchat trouxe a público novas informações que colocam a empresa de Mark Zuckerberg sob fogo cerrado. De acordo com os documentos apresentados em tribunal, a dona do Facebook e Instagram terá ocultado deliberadamente provas de que os seus produtos prejudicavam a saúde mental dos utilizadores, chegando mesmo a ser comparada internamente à indústria do tabaco pela forma como geriu a informação.

Projeto Mercury: O estudo que a Meta quis esquecer

No centro da polémica está uma investigação interna realizada há cerca de cinco anos, batizada de "Projeto Mercury". Segundo as alegações, a Meta encerrou este projeto abruptamente assim que os investigadores encontraram provas causais de que os seus produtos estavam a prejudicar a saúde mental dos utilizadores.

Os dados recolhidos indicavam que as pessoas que paravam de utilizar o Facebook e o Instagram durante apenas uma semana apresentavam níveis mais baixos de depressão, ansiedade e solidão, bem como uma redução na comparação social negativa. Em vez de publicar estas conclusões ou aprofundar o estudo, a empresa terá optado por acabar com a investigação. A justificação interna foi de que os resultados estariam "contaminados" pela narrativa negativa dos media em relação às redes sociais.

No entanto, segundo reporta a Reuters, a equipa responsável pelo Projeto Mercury garantiu à liderança da empresa que existia, de facto, um impacto causal na comparação social. A situação atingiu um ponto em que um funcionário chegou a comparar as ações da Meta às táticas utilizadas pela indústria do tabaco, que durante décadas ocultou do público os malefícios dos cigarros para a saúde.

Se estes detalhes se confirmarem, significaria também que a Meta induziu o Congresso dos EUA em erro ao afirmar que não tinha capacidade para quantificar se os seus produtos prejudicavam as adolescentes, quando a documentação interna sugere o contrário.

Prioridade ao lucro e ao Metaverso

Os documentos citados no processo alegam ainda que a Meta desenhou funcionalidades de segurança para jovens de forma a serem ineficazes e raramente utilizadas. A acusação sugere que a empresa realizou testes de bloqueio em funcionalidades que receava poderem prejudicar o crescimento da plataforma.

Uma das alegações mais chocantes prende-se com o combate ao tráfico sexual. É afirmado que a Meta tinha um limite de tolerância extremamente alto, exigindo que os utilizadores fossem apanhados 17 vezes a tentar traficar pessoas para fins sexuais antes de serem removidos da plataforma.

Apesar da pressão constante ao longo dos anos para proteger melhor as crianças, as alegações indicam que a empresa descobriu que podia aumentar o envolvimento dos adolescentes servindo-lhes conteúdos mais nocivos, optando por continuar essa prática em nome das receitas. Os documentos apontam ainda o dedo diretamente ao CEO Mark Zuckerberg, alegando que, em 2021, este afirmou que a segurança infantil não era a sua principal preocupação, priorizando a construção do metaverso e rejeitando pedidos para financiar melhor o trabalho de segurança infantil.

A resposta da gigante tecnológica

Confrontada com estas acusações, a Meta reagiu através do porta-voz Andy Stone, que afirmou que a empresa discorda veementemente das alegações, classificando-as como citações "escolhidas a dedo" e opiniões mal informadas.

Stone defendeu que o Projeto Mercury foi interrompido devido a uma metodologia falhada e insistiu que as medidas de segurança para adolescentes da empresa são eficazes. O porta-voz esclareceu ainda que a política atual da empresa é remover contas ligadas ao tráfico sexual assim que estas são sinalizadas.

A batalha legal promete ser longa, com uma audiência em tribunal agendada para o dia 26 de janeiro de 2026, no Tribunal Distrital do Norte da Califórnia. A Meta já apresentou uma moção para tentar excluir os documentos internos citados no processo.

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