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bandeiras do reino unido

A Open Rights Group (ORG) lançou um aviso sério aos políticos britânicos: o Reino Unido está a apoiar-se demasiado em gigantes tecnológicos norte-americanos para gerir os seus sistemas críticos. A organização de direitos digitais quer que a nova Lei de Cibersegurança e Resiliência force uma mudança de estratégia urgente.

Com a segunda leitura da proposta de lei agendada para hoje na Câmara dos Comuns, a ORG vê aqui uma oportunidade rara para obrigar o governo a enfrentar o que considera ser um "ponto cego estratégico". Em causa está a profunda dependência do país em empresas como a Amazon, Google, Microsoft e a especialista em análise de dados Palantir para tudo, desde o alojamento na cloud até sistemas sensíveis do setor público.

Soberania digital em risco

James Baker, gestor do programa de poder das plataformas na Open Rights Group, não poupa nas comparações. Segundo o responsável, tal como depender de um único país para as necessidades energéticas seria arriscado e irresponsável, o mesmo se aplica à dependência excessiva de empresas dos EUA para fornecer a maior parte da infraestrutura digital.

Baker argumenta que a infraestrutura digital se tornou uma extensão do poder geopolítico, deixando o Reino Unido cada vez mais vulnerável a decisões tomadas muito longe de Westminster. "Agora, mais do que nunca, o Reino Unido precisa de construir e proteger a soberania sobre a sua infraestrutura digital, e não deixar-se vulnerável às políticas e ações de potências estrangeiras como os EUA e a China", acrescentou.

Embora os Estados Unidos continuem a ser um aliado próximo, a ORG alerta que a crescente vontade daquele país em usar a sua influência económica e tecnológica para perseguir objetivos políticos e militares deve fazer os legisladores britânicos parar para pensar. A nova lei é vista como a ferramenta ideal para melhorar o controlo do Reino Unido sobre a sua própria infraestrutura.

Casos reais de bloqueio digital

Para sustentar a sua posição, a ORG aponta vários casos recentes onde o controlo sobre a infraestrutura digital foi usado como alavanca política. Um dos exemplos citados envolve o Tribunal Penal Internacional (TPI).

Segundo relatos, o TPI viu-se envolvido na política de sanções dos EUA. Após o antigo presidente Donald Trump ter imposto sanções ao tribunal devido ao mandado de captura para o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, surgiram informações de que a conta de email do procurador-chefe, Karim Khan, teria sido bloqueada. Embora a Microsoft tenha negado o corte de acesso, o TPI confirmou mais tarde que, em outubro de 2025, tinha deixado de usar totalmente os serviços da Microsoft, mudando-se para o openDesk, uma plataforma europeia de código aberto.

Outro episódio remonta a 2022, quando a gigante agrícola norte-americana John Deere desativou remotamente tratores roubados por forças russas de um concessionário ucraniano. Embora a medida tenha sido celebrada na altura, também revelou que o mesmo "botão de desligar" remoto poderia, sob pressão política, ser usado contra clientes em qualquer parte do mundo.

bandeira do Reino Unido

Mais perto de casa, a ORG relembra a experiência do Reino Unido com a Huawei. O equipamento da gigante chinesa de redes está a ser removido das redes britânicas após extensa pressão do governo dos EUA. Para a ORG, este episódio demonstra a rapidez com que dependências estratégicas se podem transformar em problemas graves.

A solução passa pelo Open Source

A organização defende que os ministros precisam de pensar melhor no que acontece quando as coisas correm mal, como um fornecedor importante sair do mercado ou leis estrangeiras impedirem o acesso do Reino Unido aos seus próprios dados. Estes riscos devem ser considerados logo de início, quando o governo aprova sistemas digitais fundamentais.

O ponto central é que a segurança tende a parecer robusta até a política entrar em jogo. Os sistemas podem estar tecnicamente protegidos e certificados, mas falham se dependerem de poucos fornecedores estrangeiros, plataformas fechadas difíceis de substituir ou serviços cloud que respondem a leis de outro país.

A solução proposta pela ORG não é vistosa, mas é prática: o governo deve apostar mais fortemente em software de código aberto e sistemas interoperáveis. Isto reduziria o bloqueio a fornecedores específicos (vendor lock-in) e tornaria mais fácil substituir empresas quando as relações azedam. Além disso, permitiria que mais empresas britânicas tivessem finalmente uma oportunidade de concorrer a trabalhos do setor público, em vez de verem os contratos irem sempre para os mesmos nomes multinacionais, incluindo a AWS e a Microsoft.

O momento deste alerta não é acidental. Argumentos semelhantes estão a ganhar força por toda a Europa, onde os governos estão cada vez mais nervosos sobre a quantidade da sua "canalização digital" que está, efetivamente, nas mãos dos hyperscalers norte-americanos. Resta saber se o Reino Unido encarará isto como um aviso sério ou apenas como o preço da conveniência.




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