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Europa interligada

Num cenário geopolítico cada vez mais volátil, a forma como olhamos para a internet e para as redes móveis está a mudar drasticamente. Já não se trata apenas de garantir que conseguimos fazer streaming de vídeo ou enviar emails rapidamente; trata-se de segurança nacional. Um novo relatório divulgado hoje, 16 de janeiro, pela Vodafone coloca o dedo na ferida: encarar a conectividade como um serviço básico de baixo custo é um erro que pode sair caro à defesa da Europa.

O documento, intitulado Conectividade Segura: o novo pilar estratégico da defesa europeia, argumenta que a segurança do continente é agora indissociável da robustez das suas redes digitais. A mensagem é clara: sem uma infraestrutura de comunicações resiliente, serviços críticos como hospitais, redes de energia, transportes e até os sistemas de comando militar ficam expostos a riscos inaceitáveis.

O perigo da "mercadoria" barata

Durante anos, a tendência foi olhar para as telecomunicações como uma "commodity" — um produto indiferenciado onde o preço mais baixo dita as regras. No entanto, o relatório alerta que esta visão está a atrasar investimentos críticos e a criar vulnerabilidades. Se uma rede vital falhar ou for comprometida, o efeito dominó pode paralisar a estabilidade económica e a capacidade de resposta militar de um país.

Joakim Reiter, Diretor de Relações Externas do Grupo Vodafone, é perentório na sua análise. Segundo o responsável, continuar a tratar a conectividade como um serviço menor expõe cidadãos e instituições democráticas a perigos crescentes. A solução passa por criar um ambiente que favoreça a inovação e o capital, priorizando a segurança das comunicações como uma linha de defesa fundamental contra as ameaças modernas.

A realidade da guerra na Ucrânia serviu como um "chamada de atenção" brutal para este facto. O conflito demonstrou que, num cenário de operações militares extremas, uma infraestrutura digital resistente não é um luxo, mas sim um ativo estratégico que pode definir a capacidade de resistência de uma nação perante ataques híbridos e guerra cibernética.

Um roteiro de cinco pontos para a Europa

Para inverter a marcha e colocar a tecnologia no centro da estratégia de defesa, a operadora propõe um plano de ação concreto para a Europa. As recomendações visam transformar a forma como governos e instituições, como a UE e a NATO, planeiam o futuro:

  • Reconhecimento Estratégico: A conectividade segura deve ser oficialmente classificada como um ativo estratégico de segurança, integrando os planos de defesa nacionais e internacionais.

  • Colaboração Permanente: É essencial criar canais fiáveis entre governos, operadores e aliados para coordenar respostas a crises e proteger infraestruturas vitais, como cabos submarinos.

  • Incentivo ao Investimento: Onde o mercado falha em garantir redundância, devem existir incentivos políticos. O relatório aponta para lacunas de investimento que precisam de ser colmatadas, sugerindo o uso de ferramentas como o futuro Regulamento das Redes Digitais.

  • Alianças de Confiança: A Europa não deve fechar-se, mas sim promover uma abertura estratégica com parceiros fiáveis, destacando especificamente o Reino Unido, para alinhar normas tecnológicas e reforçar a soberania.

  • Literacia Digital: Por fim, a tecnologia só é segura se os utilizadores souberem lidar com ela. Investir na capacidade dos cidadãos para identificar desinformação é crucial para manter a confiança nas instituições.

A conclusão do estudo sugere que, ao adotar estas medidas, o continente europeu poderá utilizar a sua cobertura de rede não apenas para comunicar, mas como uma ferramenta de dissuasão e proteção ativa da prosperidade dos seus cidadãos.




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