
A Comissão Europeia não parece querer ficar por aqui no que toca às taxas sobre a indústria automóvel chinesa. Depois de ter avançado com tarifas pesadas sobre os veículos elétricos (VE), o executivo de Bruxelas está agora a debater ativamente a introdução de medidas semelhantes para os carros híbridos importados da China.
O objetivo mantém-se consistente com a política aplicada desde 2024: proteger o mercado único de distorções concorrenciais causadas por subsídios estatais agressivos. Atualmente, os elétricos puros provenientes da China enfrentam taxas adicionais que variam entre 7,8% e 35,3%, somando-se à taxa de importação padrão de 10%. Agora, a mira vira-se para os motores que combinam combustão e eletricidade.
Uma resposta ao aumento explosivo das importações
A confirmação de que este cenário está em cima da mesa veio de Stéphane Séjourné, Comissário Europeu, que tem levantado a questão em diversas ocasiões. A lógica defendida pelo seu gabinete é direta: se os veículos elétricos a bateria são taxados porque a sua produção é fortemente subsidiada, não faz sentido deixar de fora os híbridos, que são fabricados nas mesmas linhas de montagem e sob as mesmas condições financeiras. Os concorrentes europeus, argumenta-se, necessitam do mesmo nível de proteção para competir em pé de igualdade.
Os dados comerciais dão força a esta preocupação em Bruxelas. Em 2025, as exportações de veículos híbridos da China para a UE dispararam uns impressionantes 155%. Em contraste, as exportações de veículos elétricos, já sujeitas às novas tarifas, cresceram apenas 12% no ano passado.
Embora os números absolutos de híbridos chineses na Europa ainda não superem os dos elétricos puros, a tendência é clara. Analistas de mercado interpretam este crescimento rápido como uma mudança estratégica dos fabricantes chineses para compensar as perdas causadas pelas tarifas nos BEV (Battery Electric Vehicles). Previsões indicam que, se a tendência atual se mantiver, os híbridos poderão ultrapassar os veículos elétricos e a gasolina nas exportações chinesas já em meados de 2026.
A estratégia dos preços mínimos e o futuro incerto
Enquanto a UE pondera apertar o cerco, existe uma via alternativa em negociação: o compromisso de preços mínimos. Para evitar as tarifas, os fabricantes chineses poderão comprometer-se a vender os seus veículos acima de um determinado valor no mercado europeu.
Ainda não está claro quando é que a regulação dos preços mínimos entrará efetivamente em vigor, mas a União Europeia já anunciou ter preparado as diretrizes gerais para os importadores chineses. Embora o Ministério do Comércio da China tenha acolhido esta abertura como um avanço, Bruxelas alerta que a existência destas diretrizes não significa o fim garantido das tarifas.
A inclusão dos híbridos na política anti-dumping da UE aumentaria drasticamente a pressão sobre as negociações, multiplicando o tipo de bens afetados. Resta saber se esta medida abrangerá todos os tipos de híbridos (desde os plug-in aos "mild hybrids") ou se terá alvos específicos, uma distinção que ainda carece de clarificação técnica, segundo a informação avançada pela Euractiv.










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