
Parece que a acalmia nos tribunais norte-americanos durou pouco tempo. Depois de a Apple ter enfrentado um duro revés contra a Masimo em 2023, uma nova disputa legal ameaça agitar o mercado dos wearables. Desta vez, uma empresa do Texas decidiu enfrentar vários gigantes da indústria de uma só vez, alegando o roubo de propriedade intelectual numa funcionalidade que salva vidas.
A acusação da UnaliWear
A protagonista desta nova ação judicial é a UnaliWear, que apresentou uma queixa formal na Comissão de Comércio Internacional dos EUA (USITC). A empresa acusa a Apple, a Google, a Samsung e a Garmin de violarem as suas patentes relacionadas com a segurança em relógios inteligentes.
No centro da discórdia está a tecnologia proprietária "RealFall", um sistema de deteção de quedas que a UnaliWear afirma estar a ser utilizado sem autorização por estas multinacionais. O processo, iniciado em meados de dezembro de 2025 e reforçado no início de janeiro de 2026, invoca a secção 337 da Lei Tarifária de 1930. Para quem acompanha o mundo tecnológico, esta legislação é familiar: foi exatamente a mesma base legal que a Masimo utilizou para conseguir bloquear temporariamente as vendas de alguns modelos da Apple nos EUA.
A oficialização desta investigação e os detalhes das alegações podem ser consultados na notificação oficial da USITC.
O que distingue a tecnologia original?
Embora a UnaliWear possa não ter a visibilidade mediática dos seus opositores, a empresa está no mercado desde 2013 com o seu Kanega Watch. Este dispositivo diferencia-se por não ser apenas um gadget de consumo, mas sim uma ferramenta de segurança dedicada. Com um preço a rondar os 275 euros (299 dólares), o verdadeiro peso do produto está na sua subscrição anual de cerca de 720 euros (779,40 dólares).
Este valor elevado justifica-se pelos serviços incluídos, como assistência remota de emergência disponível 24 horas por dia, lembretes para a toma de medicamentos e comandos de voz. Além da tecnologia de deteção de quedas agora em disputa, o Kanega Watch possui uma característica de hardware peculiar: baterias que podem ser trocadas diretamente na bracelete, permitindo que o utilizador nunca precise de tirar o relógio do pulso para o carregar.
Tendo em conta que a funcionalidade de deteção de quedas chegou ao Apple Watch Series 4 em 2018, é plausível que tenham existido tentativas de acordo frustradas ao longo dos últimos anos. Agora, a decisão está nas mãos das autoridades comerciais, num processo que promete ser moroso.










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