
O mercado europeu está a demonstrar um apetite voraz por citadinos elétricos compactos, desde que estes sejam competentes e, acima de tudo, acessíveis. O sucesso do Renault 5 E-Tech, que se afirmou como um dos elétricos mais vendidos no continente em 2025, provou que o segmento B e A tem muito potencial. Agora, a Kia parece estar pronta para entrar nesta batalha com um modelo posicionado abaixo do EV2, que poderá vir a chamar-se EV1.
Um sucessor elétrico para o Picanto?
A atual oferta mais pequena da marca sul-coreana na calha é o EV2, que aposta numa estética crossover e numa pegada ligeiramente maior. No entanto, a fabricante acredita que existe espaço para ir ainda mais longe na miniaturização. David Hilbert, chefe de marketing da marca na Europa, confirmou à Autocar que a empresa está a estudar a possibilidade de lançar algo na linha de um Picanto elétrico.
Segundo o responsável, toda a indústria está focada em tornar os veículos elétricos mais acessíveis e a marca não é exceção. A própria nomenclatura sugere esta estratégia: se existe um EV2, a designação deixa propositadamente espaço para um EV1. Este modelo seria não só mais pequeno fisicamente, mas contaria também com uma bateria de menor capacidade, essencial para reduzir o preço final e torná-lo numa opção viável para a condução estritamente urbana.
Enquanto o EV2 oferece uma opção de bateria de longo alcance (cerca de 62 kWh) capaz de atingir os 450 km, um potencial EV1 não necessitaria de tanta autonomia para o seu propósito. A estratégia passaria por criar um citadino puro, focado em trajetos curtos, diferenciando-se mecanicamente do Hyundai Inster, que é baseado no Casper do mercado coreano.
De olhos postos nas regras da União Europeia
A decisão final de avançar com o EV1 pode depender de burocracia, mais especificamente da definição da nova categoria de "E-car" pela União Europeia. Alex Papapetropoulos, responsável de produto da marca na Europa, revelou que estão a acompanhar de muito perto estas novas regulações, que deverão ser conhecidas no final de janeiro.
Se esta nova categoria permitir, por exemplo, a omissão de certos sistemas de segurança ativa obrigatórios em segmentos superiores, isso permitiria aos fabricantes reduzir custos de produção e vender estes carros a preços muito mais competitivos. A marca garante ter as ferramentas necessárias no seu plano de produtos para se adaptar rapidamente ao que for anunciado por Bruxelas.
O segmento promete ficar ao rubro nos próximos tempos. Além do Renault 5, a concorrência já inclui ou vai incluir nomes de peso como o BYD Seagull, o novo Renault Twingo, o Dacia Spring e as propostas acessíveis da Citroën e Fiat. Com a Volkswagen também a preparar o ID. Polo, a corrida pelo trono dos elétricos baratos na Europa está apenas a começar.




Qua 21 Jan 2026 - 22:34 por RJCA




