
A Tesla atualizou silenciosamente o seu configurador de veículos nos Estados Unidos, removendo o conjunto completo de funcionalidades do Autopilot de todas as novas versões do Model 3 e Model Y. Ao encomendar um novo veículo, a configuração final deixa de incluir o Autosteer, a componente integral do pacote Autopilot responsável por manter o carro centrado na faixa de rodagem.
Esta mudança marca o mais recente esforço da Tesla para transformar a forma como os compradores acedem às suas funcionalidades de assistência à condução, afastando-se de um pacote tecnológico abrangente incluído de raiz para empurrar os clientes em direção a uma subscrição mensal de Full Self-Driving (FSD) de 99 dólares.
Um regresso ao passado ou estratégia calculada?
Para quem tem acompanhado a trajetória da marca, a remoção do Autosteer do pacote Autopilot foi uma alteração que a fabricante introduziu inicialmente quando lançou a versão "acessível" Standard em outubro passado. Agora, esta limitação parece ter-se alastrado. O Autopilot tradicionalmente inclui o Traffic Aware Cruise Control (TACC), que controla a aceleração e travagem em resposta ao trânsito circundante, e o Autosteer, que ajuda o carro a seguir automaticamente as linhas da estrada.
Com esta atualização, o TACC continua incluído, mas o Autosteer desaparece. Isto significa que a experiência de condução base se assemelhará bastante à de um Tesla da era de 2012, onde a responsabilidade de manter o volante centrado na estrada recai inteiramente sobre o condutor. A situação torna-se confusa porque, ao consultar a matriz de comparação de funcionalidades no site da empresa, o Autosteer ainda aparece como incluído em todas as versões, exceto nas Standard. No entanto, ao avançar para a página final de encomenda no configurador, tanto o Model 3 como o Model Y, desde a versão base até à Performance, mostram apenas o TACC como incluído, juntamente com um teste de 30 dias do FSD.
Esta decisão coloca a marca numa posição curiosa face à concorrência, uma vez que remover a centragem na faixa de rodagem deixa a fabricante atrás de rivais no segmento generalista. A título de exemplo, até um Toyota Corolla LE de 2026, com um preço base abaixo dos 25.000 dólares, inclui esta funcionalidade de série.
A resposta de Musk e a revolta dos utilizadores
Embora a empresa não tenha emitido um comunicado oficial a confirmar esta nova direção como definitiva, Elon Musk respondeu a uma publicação na rede social X que anunciava a mudança. Na sua resposta, o CEO não abordou diretamente a alteração ao Autopilot, optando por referir que o custo do FSD irá aumentar à medida que as capacidades do sistema melhorarem. Esta insinuação sugere que não só a estrutura do pacote Autopilot mudou, como o custo do FSD, que está a transformar-se num pacote de software apenas por subscrição, poderá vir a sofrer agravamentos.
A reação online foi imediata, com vários utilizadores a expressarem o seu descontentamento. Comentários no X referem que a marca está a "andar para trás", enquanto no Reddit a medida foi classificada como "risível", com alguns fãs a prometerem olhar para outras marcas no futuro.
Especula-se que esta jogada possa ter como objetivo aumentar a taxa de adesão ao FSD. Relatos indicam que funcionários da marca terão mencionado a intenção de encaminhar mais compradores para a subscrição com esta alteração nos pacotes. Além disso, existe uma ligação potencial ao prémio de desempenho de 1 bilião de dólares de Musk, que depende, em parte, de a empresa atingir 10 milhões de subscrições ativas de FSD e 20 milhões de veículos entregues. Colocar uma funcionalidade popular atrás de uma barreira de pagamento poderá ser a forma encontrada para estimular essa procura, conforme sugerido na discussão iniciada no perfil de Elon Musk no X.












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