
Às vezes, as soluções mais brilhantes para problemas complexos nascem de observações simples do dia a dia. Em Chifeng, no norte da China, um estudante de apenas 14 anos está a dar que falar entre a comunidade científica e ambientalista. Jia Mingxuan desenvolveu um sistema engenhoso capaz de condensar a humidade do ar para irrigar árvores, dispensando totalmente o uso de eletricidade, bombas ou reservatórios de água.
A invenção surge num momento crítico e insere-se no esforço colossal do programa "Grande Muralha Verde", o maior projeto de reflorestamento do mundo, desenhado para travar a desertificação que ameaça a região. Utilizando materiais acessíveis, como tubos de aço e garrafas de plástico reutilizadas, o dispositivo aproveita o gradiente térmico — a diferença de temperatura — entre o solo e o ar para produzir água suficiente para garantir a sobrevivência de mudas recém-plantadas.
Da cozinha para a Grande Muralha Verde
A "lâmpada" da ideia acendeu-se num lugar improvável: a cozinha da casa de Jia. O jovem reparou que, nos dias mais frios, o vapor de água condensava-se nas superfícies geladas da divisão, formando gotas. Esta observação levou-o a questionar se seria possível replicar o fenómeno na natureza para ajudar a vegetação em zonas áridas.
O protótipo resultante é de uma simplicidade desarmante. Parte de um tubo de aço é enterrada no solo, mantendo a extremidade superior exposta ao vento. A diferença de temperatura entre a parte subterrânea e o ar exterior cria as condições ideais para a condensação da humidade atmosférica. A água gerada escorre pelo interior do tubo, sendo direcionada diretamente para as raízes da árvore, evitando desperdícios por evaporação.
Para garantir a eficácia, o sistema conta com uma tampa que permite a circulação do vento através do dispositivo, mesmo em climas secos. Durante a fase de testes, Jia percorreu dezenas de quilómetros para monitorizar a acumulação de humidade e ajustar o design, provando que a tecnologia funciona sem qualquer tipo de bateria ou fonte de energia externa.
Tecnologia acessível contra a desertificação
A região de Chifeng, historicamente fustigada pela seca e pelos ventos fortes, viu a sua cobertura florestal crescer para mais de 40% graças à intervenção humana. No entanto, o ecossistema permanece frágil. Muitas das árvores jovens acabam por morrer devido à falta de irrigação adequada, uma vez que os métodos manuais são dispendiosos e logisticamente difíceis em áreas remotas.
A solução de Jia Mingxuan ataca precisamente este problema, aumentando a taxa de sobrevivência das plantas nos primeiros meses de vida, que são os mais críticos. Por não depender de redes elétricas ou infraestruturas complexas, o dispositivo apresenta-se como uma alternativa viável e de baixo custo.
O impacto do projeto já ultrapassou as fronteiras locais. O jovem inventor está agora a colaborar com investigadores em Xangai para aprimorar o sistema, explorando o uso de novos materiais, como bioplásticos, para viabilizar a produção em larga escala. Especialistas apontam que esta inovação poderá ser adaptada a outras regiões semiáridas do globo, como o sul da Europa ou o Sahel africano, conforme detalhado pela Xinhua.










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