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Planeta Venus

Vénus é conhecido há muito tempo como o "gémeo malvado" da Terra. Embora ambos os planetas tenham tamanhos semelhantes e se tenham formado na mesma região interior do sistema solar, Vénus é muito menos hospitaleiro para a vida tal como a conhecemos. As temperaturas na sua superfície podem ultrapassar os 480 graus Celsius, as nuvens são compostas por ácido sulfúrico e a pressão atmosférica à superfície é quase 100 vezes superior à da Terra, o equivalente a estar a 3000 metros de profundidade no oceano.

No entanto, por baixo destas condições extremas, o planeta pode abrigar estruturas cavernosas conhecidas como tubos de lava, conforme sugere um novo artigo aceite para publicação na revista Icarus.

Túneis subterrâneos que desafiam a gravidade

Na Terra, os tubos de lava são um subproduto da atividade vulcânica que permanece após o recuo da lava líquida, e acredita-se que existam também na Lua e em Marte. Embora possam não servir como o melhor local para construir um abrigo para viajantes espaciais em Vénus — as condições são demasiado extremas para qualquer presença humana —, os indícios de que o planeta pode albergá-los estão a acumular-se.

Isso deve-se, em parte, ao facto de a gravidade na superfície do planeta ser apenas cerca de 91% da gravidade da Terra, permitindo que tubos com até um quilómetro de diâmetro sejam estruturalmente estáveis, segundo concluíram os investigadores. Os resultados sugerem que tubos de lava com larguras de algumas centenas de metros podem permanecer estáveis, dimensões que são consistentes com os canais observados na superfície venusiana.

Os cientistas utilizaram uma técnica comum, chamada Análise Limite de Elementos Finitos (FELA), para estimar os limites superiores das dimensões dos tubos de lava que podem existir na superfície de Vénus. Estas descobertas baseiam-se em estudos anteriores que tentaram modelar o "vulcanismo explosivo" do planeta, sugerindo que Vénus pode, de facto, conter volumes de tubos muito superiores aos encontrados noutros corpos celestes.

Missões futuras e o desafio da exploração

Confirmar a existência destes canais gigantes em primeira mão poderá revelar-se imensamente difícil. Para além de um ambiente local extremo, o planeta está coberto por uma espessa camada de nuvens densas, o que torna a análise da sua superfície a partir da órbita um enorme desafio.

Felizmente, a missão DAVINCI (Deep Atmosphere Venus Investigation of Noble gases, Chemistry, and Imaging) da NASA, provisoriamente agendada para lançamento em 2030, prevê que um orbitador e uma sonda atmosférica explorem a superfície do planeta. Adicionalmente, a missão VERITAS (Venus Emissivity, Radio Science, InSAR, Topography, and Spectroscopy) foi concebida para analisar a superfície do planeta com instrumentos de radar e infravermelhos próximos de alta resolução.

O futuro destas missões tem estado envolto em incerteza política e orçamental. A proposta de orçamento para a agência espacial apresentada pela administração Trump teria cancelado ambas as missões, mas uma contraproposta do Congresso, recentemente aprovada pelo Senado, manteve vivas as esperanças de procurar os suspeitos tubos de lava de Vénus. Os investigadores apelam agora a que estas futuras missões utilizem capacidades de imagem e investigação geofísica de alta resolução para procurar cadeias de fossas e aberturas verticais que conduzam a estes misteriosos canais subterrâneos.

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