
O ano de 2026 começou com um sinal de alerta vermelho para o setor da cibersegurança. De acordo com os dados mais recentes da Check Point Research, o mês de janeiro registou um aumento global significativo nos ataques cibernéticos, impulsionado pela sofisticação do ransomware e pelos novos riscos trazidos pela inteligência artificial generativa. Em Portugal, o cenário é ainda mais preocupante, com o crescimento das ameaças a superar a média mundial.
As organizações portuguesas estão agora a enfrentar uma média de 2.110 ataques semanais, o que representa uma subida de 12% em comparação com o mesmo período do ano passado. Este valor coloca o país numa posição vulnerável, ultrapassando a barreira dos dois mil incidentes por semana.
IA generativa e os novos pontos cegos das empresas
Um dos principais motores deste crescimento é a adoção descontrolada de ferramentas de IA generativa (GenAI). Segundo o relatório da Check Point Software, cerca de 93% das empresas que utilizam estas tecnologias estão expostas a riscos de fuga de dados sensíveis. Estima-se que um em cada 30 pedidos (prompts) enviados para estas plataformas contenha informações críticas, como código-fonte, dados de clientes ou documentos internos.
Rui Duro, Country Manager da empresa em Portugal, sublinha que os ataques não estão apenas mais frequentes, mas também mais "oportunistas". O responsável destaca que a utilização de múltiplas ferramentas de IA sem uma governação formal está a criar novos pontos cegos que os cibercriminosos não hesitam em explorar. Para travar este avanço, a recomendação passa por uma estratégia focada na prevenção em tempo real, aproveitando a própria IA para identificar ameaças antes que ocorram danos financeiros.
Educação e administração pública sob fogo cerrado
No que toca aos setores mais visados, a educação continua a ser o alvo preferencial dos piratas informáticos a nível global, com uma média impressionante de 4.364 ataques semanais por organização. Em Portugal, a tendência confirma-se, sendo este o setor mais fustigado, seguido de perto pela administração pública e pelos serviços financeiros.
O ransomware permanece como a arma mais destrutiva do arsenal cibernético. Só em janeiro de 2026, foram reportados publicamente 678 incidentes deste tipo, um aumento de 10% face ao ano anterior. Grupos como o Qilin e o LockBit continuam a liderar as operações de extorsão, focando-se sobretudo em regiões economicamente fortes, como a América do Norte e a Europa, onde a interrupção de serviços críticos permite exigir resgates mais elevados.












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