
Quando subscreves um serviço de streaming como a Netflix usando um cartão de oferta, a expectativa é que este funcione como qualquer outro método de pagamento: tens crédito, usas o serviço e, se quiseres parar por uns tempos, cancelas a subscrição para poupar o restante saldo para mais tarde. No entanto, a realidade é bem diferente e pode apanhar muitos utilizadores desprevenidos.
A política de várias plataformas populares, incluindo a Netflix e a Disney, impede o cancelamento imediato quando a conta é carregada com cartões pré-pagos. Em vez de permitir pausar a subscrição e guardar o crédito, o serviço obriga o utilizador a gastar o saldo até ao último cêntimo, mantendo a conta ativa consecutivamente até que o valor se esgote.
O bloqueio do cancelamento
Esta prática não é propriamente nova, mas continua a surpreender os consumidores que tentam gerir as suas despesas mensais. Segundo relata a PCWorld, o sistema funciona de forma rígida: se tiveres 50 euros de crédito e quiseres cancelar após o primeiro mês, não podes. A plataforma simplesmente agenda o cancelamento para quando o saldo chegar a zero, obrigando-te a manter a subscrição ativa durante meses, quer a uses ou não.
O caso de Doug Wheeler, citado pela fonte, ilustra bem o problema. Após acumular mais de 150 dólares em cartões de oferta, Wheeler tentou cancelar a sua conta da Netflix para fazer uma pausa. Para sua surpresa, a plataforma informou-o de que a subscrição continuaria ativa até acabar o saldo, o que neste caso significava manter-se ligado ao serviço contra a sua vontade até dezembro.
A Disney+ e a Hulu seguem uma política semelhante. Os termos de serviço destas plataformas indicam explicitamente que o cancelamento apenas se torna efetivo quando o crédito do cartão de oferta for "totalmente esgotado". A Peacock, embora tenha termos mais ambíguos, também implica que o saldo deve ser consumido na totalidade antes de a conta fechar.
Nem todas as plataformas agem assim
Apesar de ser uma prática comum entre alguns gigantes do streaming, não é uma regra universal. Existem serviços que oferecem uma flexibilidade muito maior ao consumidor. A Paramount+, por exemplo, destaca-se pela positiva ao permitir explicitamente que os utilizadores coloquem a subscrição em pausa. Nos seus termos, a empresa refere que qualquer saldo não utilizado permanece disponível "indefinidamente" até que o utilizador decida reativar a conta.
Também a Apple e a Amazon adotam uma postura mais favorável ao cliente, permitindo iniciar e parar subscrições pagas com saldo de cartões de oferta sem obrigar ao consumo contínuo e forçado do crédito. Já a HBO Max evita completamente esta polémica por uma razão simples: não disponibiliza cartões de oferta.
Para os utilizadores que se sentem lesados por estas políticas de retenção forçada, a persistência pode compensar. No caso de Wheeler, uma reclamação formal junto das autoridades de defesa do consumidor resultou numa resolução por parte da Netflix, que acabou por devolver o valor em causa sob a forma de novos cartões de oferta. Fica o alerta: antes de carregar a conta com um valor elevado, é importante saber que esse dinheiro pode ficar "refém" até ser totalmente gasto.










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