
A relação entre a Comissão Europeia e as grandes tecnológicas continua tensa, e a gigante de Mountain View volta a estar no centro das atenções. Depois de várias multas aplicadas ao abrigo da Lei dos Mercados Digitais (DMA), os reguladores europeus lançaram uma nova sonda sobre o negócio de publicidade online da empresa, suspeitando de práticas anticoncorrenciais que podem estar a prejudicar o mercado.
Segundo avança a Bloomberg, embora a investigação formal ainda não tenha sido anunciada publicamente, a Comissão já iniciou contactos com clientes e concorrentes da empresa. O objetivo é recolher informações sobre o domínio da tecnológica em vários segmentos do mercado publicitário digital, num processo que pode vir a resultar em mais uma sanção financeira pesada.
Manipulação de preços e impacto nos anunciantes
A grande preocupação de Bruxelas reside na possibilidade de a Google estar a aumentar artificialmente o "preço de liquidação" (clearing price) nos leilões de anúncios. Se confirmado, este comportamento estaria a prejudicar diretamente os anunciantes, forçando-os a pagar valores mais elevados do que o ditaria um mercado livre e justo.
Caso se prove que a empresa violou as regras de concorrência da União Europeia, a fatura a pagar poderá ser astronómica: as multas neste tipo de infração podem chegar aos 10% do volume de negócios anual global da empresa. Este novo escrutínio junta-se a uma investigação anterior, ativa desde dezembro de 2024, que analisa a forma como a empresa gere a publicidade direcionada a menores de idade.
O cerco aperta nos dois lados do Atlântico
A pressão regulatória não é exclusiva da Europa. Nos Estados Unidos, a situação jurídica da empresa também é delicada. Em abril de 2025, um juiz federal norte-americano concluiu que a tecnológica detém um monopólio na publicidade online, na sequência de uma batalha legal iniciada pelo Departamento de Justiça (DOJ). A acusação sustentava que a empresa dominava o mercado para cobrar mais e reter uma fatia maior das vendas de anúncios.
Enquanto o DOJ procura forçar a venda do negócio de tecnologia de publicidade da empresa, ainda não foi tomada uma decisão final sobre as medidas corretivas a aplicar. Na Europa, além das questões financeiras, os reguladores já ordenaram anteriormente à empresa que abrisse o sistema operativo Android a assistentes de inteligência artificial concorrentes e partilhasse dados de pesquisa com rivais, num esforço contínuo para nivelar o campo de jogo digital.










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