
O cenário automóvel corporativo em Portugal está a mudar a um ritmo acelerado. Segundo os dados do estudo Car Policy Benchmark 2025, promovido pela Ayvens, a percentagem de veículos ligeiros de passageiros com motorização elétrica ou híbrida plug-in nas empresas triplicou nos últimos três anos, passando de uns modestos 13% em 2022 para os atuais 40%.
Num universo de 12 mil automóveis avaliados, cerca de 10 mil pertencem ao segmento de passageiros e, destes, quatro mil já rodam com baterias. As viaturas comerciais de mercadorias não ficaram esquecidas nesta transição, registando também um salto expressivo de 1% para 10% de taxa de eletrificação.
A revolução elétrica nas empresas portuguesas
Este estudo, que escrutinou as práticas de cerca de 400 empresas distribuídas por 11 setores de atividade, revela que o mercado está consideravelmente mais maduro. Atualmente, 96% das organizações analisadas já contam com políticas de frota formalmente estruturadas. Em conjunto, estas empresas somam mais de 425 milhões de quilómetros percorridos anualmente.
O novo capítulo da edição de 2025, focado inteiramente na transição energética, demonstra que as escolhas do setor empresarial começam a ser muito mais ponderadas e sustentadas em dados concretos, cruzando os objetivos ambientais com a sustentabilidade financeira.
Prazos mais longos e controlo rigoroso de custos
O fator económico continua a ditar as regras da mobilidade. O custo total de utilização, vulgarmente conhecido como TCO, é agora a métrica de eleição para 83% das empresas na hora de gerir as frotas, uma subida notória face aos 73% registados em 2022. A adoção desta métrica abrange as grandes organizações, mas já convence 80% das frotas de menor dimensão.
Curiosamente, a duração média dos contratos também esticou. A média fixou-se agora nos 51 meses, em comparação com os 47 meses na análise anterior. O grande objetivo é garantir rendas mais competitivas, levando a que 31% das empresas já optem por contratos com cinco ou mais anos de duração. Ao nível dos limites de gastos, 82% do mercado baseia-se em plafonds de renda em detrimento dos orçamentos de aquisição, com valores que sofreram um aumento médio de 11% nos últimos três anos.
António Oliveira Martins, diretor-geral da Ayvens no mercado nacional, destaca que o segmento está muito mais profissionalizado e preparado para lidar com os desafios da sustentabilidade, reiterando o foco em oferecer soluções de mobilidade inteligente.
O que pensam os condutores da rede e autonomia?
A perspetiva de quem segue atrás do volante também foi tida em conta, com mais de três mil colaboradores inquiridos. Os dados mostram que 38% já conduz veículos eletrificados. Destes, 25% estão ao comando de viaturas 100% elétricas e 13% conduzem híbridos plug-in.
Apesar de metade dos inquiridos se mostrar imediatamente disponível para transitar para um modelo totalmente elétrico, os obstáculos práticos mantêm-se. A maior preocupação continua a ser a autonomia da bateria, apontada por 31% dos condutores, logo seguida pela insuficiência da rede pública de carregamento (26%). A necessidade de delinear um rigoroso planeamento para viagens longas e o custo de investimento inicial mais elevado completam o leque de barreiras que os utilizadores enfrentam na hora de abraçar a eletrificação.







Nenhum comentário
Seja o primeiro!