
Os chips cerebrais estão a afirmar-se como uma solução viável para devolver a independência a pessoas com paralisia grave. Depois de a Neuralink ter demonstrado a capacidade de permitir que pessoas com deficiência controlem computadores através do pensamento, a China estabeleceu agora um plano ambicioso para garantir que a tecnologia de interface cérebro-computador (BCI) chega ao uso público generalizado num prazo de três a cinco anos. A informação foi detalhada pela Reuters.
Quando um acidente retira a capacidade de movimento a um paciente de forma permanente, as opções de recuperação parecem limitadas. No entanto, conceitos que outrora pertenciam apenas à ficção científica, como os exoesqueletos robóticos e os implantes cerebrais, são já uma realidade do presente. O grande trunfo das interfaces BCI é a comunicação direta entre o cérebro e dispositivos externos, contornando a necessidade de utilizar os músculos ou as extremidades do corpo humano para executar ações mecânicas.
O avanço rápido dos ensaios clínicos
O objetivo de Pequim não é manter esta inovação restrita a casos isolados, mas torná-la numa ferramenta médica de uso comum. Segundo Yao Dezhong, diretor do Instituto de Ciência do Cérebro de Sichuan, a mudança profunda para a adoção da tecnologia BCI vai ocorrer no prazo de três a cinco anos. Para alcançar esta meta, o país acelerou significativamente as provas e os ensaios clínicos em humanos, uma vez que garantir a segurança e a eficácia é o passo obrigatório para a sua popularização.
Como já tinha sido mencionado em 2025, o plano do governo passa por assumir a liderança mundial neste setor no ano de 2030. A estratégia envolve a consolidação de duas ou três empresas nacionais de topo, com o objetivo claro de ultrapassar os avanços dos Estados Unidos e de concorrentes diretos como a Neuralink de Elon Musk.
Investimento milionário e expansão no sistema de saúde
Esta transição para uma adoção em grande escala já começou a refletir-se no terreno. O governo asiático passou a incluir os tratamentos baseados em sistemas BCI no seguro médico nacional de várias províncias, perspetivando que este mercado atinja os 809 milhões de dólares (cerca de 745 milhões de euros) em 2027.
Neste momento, o país iguala os Estados Unidos nos ensaios invasivos em humanos, contabilizando mais de 10 processos ativos e sendo o segundo país a nível global a iniciar estes procedimentos de forma profunda. O planeamento para este ano de 2026 é quintuplicar este número, adicionando mais de 50 novos pacientes aos testes clínicos.
Estas avaliações focam-se essencialmente em pacientes com amputações que procuram recuperar parte da sua mobilidade com o auxílio de cadeiras de rodas inteligentes e mãos robóticas. Embora os implantes diretos de chips cerebrais exijam intervenções cirúrgicas, as equipas de investigação também exploram métodos semi-invasivos, que oferecem menos riscos, ainda que com o compromisso de uma menor qualidade no sinal cerebral transmitido para o dispositivo externo.












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