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Reconhecimento facial

Angela Lipps, uma avó norte-americana de 50 anos, passou quase seis meses na prisão devido a um erro num software de reconhecimento facial alimentado por inteligência artificial. A identificação incorreta num caso de fraude bancária resultou na perda da sua casa, do seu carro e do seu cão, num caso detalhado pelo Tom's Hardware que levanta sérias dúvidas sobre a dependência excessiva desta tecnologia pelas autoridades.

Uma detenção baseada em algoritmos e confirmação humana

O pesadelo começou a 14 de julho, quando Angela foi detida à mão armada na sua residência no estado do Tennessee, numa altura em que trabalhava como ama a cuidar de quatro crianças. As autoridades procuravam uma mulher que tinha utilizado uma identificação militar falsa para roubar dezenas de milhares de dólares em esquemas bancários no estado do Dakota do Norte, a cerca de dois mil quilómetros de distância.

A única base para a detenção foi o resultado gerado por um sistema de reconhecimento facial que analisou as imagens das câmaras de vigilância e apontou Angela como a culpada. A decisão final coube a um detetive humano, que comparou a carta de condução da mulher com fotografias das suas redes sociais e validou a correspondência, sem que a polícia estabelecesse qualquer contacto prévio com a suspeita para investigar o seu enquadramento.

O pesadelo prisional e a prova de inocência

A cidadã norte-americana permaneceu encarcerada durante 108 dias numa prisão do condado do Tennessee, antes de ser transferida para o Dakota do Norte. A falha na investigação inicial só foi exposta quando o seu advogado, Jay Greenwood, analisou os extratos bancários de Angela. Os documentos provaram a sua inocência de forma clara: enquanto a verdadeira criminosa movimentava grandes somas de dinheiro roubado, Angela subsistia através de cheques da Segurança Social, que utilizava para comprar tabaco na bomba de gasolina local e encomendar refeições na Uber Eats. Além disso, o seu cadastro demonstrou que nunca tinha viajado de avião ou saído do seu estado de residência.

Liberdade na rua e perdas irreparáveis

Apesar de a verdade ter vindo ao de cima, o desfecho do caso trouxe novas dificuldades. O departamento da polícia de Fargo libertou Angela na rua sem qualquer dinheiro, sem um casaco adequado e sem forma de regressar a casa. A viagem de regresso acabou por ser financiada por uma organização não governamental, com os advogados a assumirem os custos de uma estadia num hotel.

Durante os meses em que esteve injustamente detida devido à conjugação de falhas da tecnologia e da investigação humana, Angela Lipps perdeu a sua habitação, o seu automóvel e o seu animal de estimação. As autoridades responsáveis pela investigação não assumiram o erro do sistema, abandonando a vítima sem qualquer tipo de apoio após o reconhecimento da sua inocência.

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