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Energia solar

Elon Musk está a preparar um investimento colossal para a construção de uma capacidade de fabrico solar de 100 GW nos Estados Unidos. O plano envolve a compra de cerca de 2,6 mil milhões de euros (2,9 mil milhões de dólares) em equipamento a fornecedores da China, segundo um exclusivo revelado pelo Electrek. Esta decisão marca uma inversão drástica na estratégia da empresa, que praticamente abandonou o seu negócio solar há apenas dois anos.

O peso dos fornecedores asiáticos

O equipamento necessário está avaliado em cerca de 20 mil milhões de yuan e a empresa encontra-se em negociações com múltiplos fornecedores chineses. A empresa mais bem posicionada é a Suzhou Maxwell Technologies, líder global em linhas de produção para células solares. Outras opções em cima da mesa incluem a Shenzhen S.C New Energy Technology e a Laplace Renewable Energy Technology.

As indicações apontam para que a maquinaria seja entregue antes do outono e direcionada para o Texas, onde a marca já opera a Gigafactory em Austin e constrói uma Megafactory em Houston. O único entrave atual é a necessidade de aprovação por parte do ministério do comércio chinês para a exportação desta tecnologia, um setor onde Pequim tem apertado o controlo ao longo dos últimos dois anos. Do lado dos EUA, o cenário é mais favorável, uma vez que o equipamento de fabrico solar foi isentado das tarifas da Secção 301 em 2024, uma medida prolongada até novembro de 2026 pela administração de Trump.

A ambição dos 100 GW e o impacto da inteligência artificial

Este investimento está diretamente ligado ao objetivo que Elon Musk delineou no Fórum Económico Mundial em janeiro de 2026. A meta passa por construir 100 GW anuais de capacidade de fabrico solar em solo americano, cobrindo toda a cadeia de abastecimento até ao final de 2028. Para colocar os números em perspetiva, o total de instalações solares no país durante 2023 rondou os 32 GW, o que significa que o objetivo passa por fabricar o triplo desse valor todos os anos.

A urgência para esta expansão colossal não se baseia em políticas climáticas, mas sim na inteligência artificial. A construção de centros de dados e a eletrificação dos transportes levaram o consumo de energia nos Estados Unidos a um segundo recorde consecutivo em 2025, e as projeções continuam a subir.

Do fracasso solar ao sucesso no armazenamento

O regresso em força ao setor contrasta com o passado recente da fabricante. Após comprar a SolarCity por cerca de 2,4 mil milhões de euros em 2016, a marca prometeu mil novos telhados solares por semana, um valor de que nunca se aproximou. No final de 2024, a Tesla deixou de reportar as suas implementações solares.

No entanto, a divisão de armazenamento de energia disparou. Durante 2025, a empresa implementou um recorde de 46,7 GWh em armazenamento, um aumento de 48% face ao ano anterior, gerando receitas de 11,8 mil milhões de euros e garantindo margens de lucro de 29,8%, quase o dobro do que ganha a vender automóveis. A nova aposta no fabrico solar surge assim como o complemento ideal para esta infraestrutura, permitindo integrar painéis próprios com as baterias de grande escala.

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