
A implementação de um Centro de Operações de Segurança (SOC) tornou-se uma prioridade estratégica para as empresas na Europa, mas o caminho para a resiliência digital é mais longo e dispendioso do que muitos esperavam. De acordo com um estudo recente da Kaspersky, o processo pode demorar até dois anos e exige investimentos médios que rondam os 1,85 milhões de euros (cerca de 2 milhões de dólares), enfrentando ainda uma escassez crítica de talento especializado e uma complexidade técnica crescente.
O peso do investimento e a realidade dos orçamentos
Embora a proteção de dados seja uma necessidade indiscutível, o custo de colocar um SOC em funcionamento é o principal entrave para um terço das organizações europeias. O orçamento médio de 1,85 milhões de euros esconde realidades muito distintas: enquanto 55% das empresas tentam manter os gastos abaixo de um milhão de euros, cerca de um quarto das organizações está preparada para investir mais de 2,3 milhões de euros para garantir uma cobertura total da sua infraestrutura.
Esta discrepância financeira está ligada à dimensão das empresas e à escolha entre manter equipas internas ou recorrer à externalização. Países como o Vietname e a China destacam-se por investir acima da média global, motivados por uma estratégia de soberania digital, enquanto no mercado europeu a tendência é para um investimento mais faseado, começando pelos segmentos mais críticos do negócio.
Prazos alargados e o desafio do talento humano
Montar uma estrutura de defesa eficaz não acontece do dia para a noite. Se é verdade que 63% das empresas europeias esperam ter o seu centro operacional num período de seis meses a um ano, existe uma fatia considerável de 29% que admite que o projeto pode estender-se até aos dois anos. As grandes empresas, apesar de gerirem ambientes de rede mais complexos, tendem a ser mais rápidas na implementação por possuírem recursos dedicados a esta tarefa.
Além dos custos e do tempo, a integração de múltiplas ferramentas de segurança e a falta de mão de obra qualificada são obstáculos frequentes. Cerca de 27% das empresas queixa-se da dificuldade em encontrar especialistas no mercado externo, o que torna a manutenção destas equipas um dos custos operacionais mais pesados a longo prazo. Roman Nazarov, responsável pela consultoria de SOC na referida empresa, sublinha que o investimento inicial em hardware e licenças é apenas o começo, sendo os salários o fator que determina o custo total de manutenção desta tecnologia ao longo dos anos.












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