
A indústria automóvel global está a passar por uma reestruturação profunda. Pela primeira vez, as exportações de veículos fabricados na China para a União Europeia superaram a barreira de um milhão de unidades em 2025. Estes dados foram revelados no mais recente relatório da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA), que sublinha o domínio crescente do país asiático como a maior origem de importações automóveis para a região.
O desequilíbrio comercial entre os dois blocos
De acordo com as estatísticas apresentadas, as importações europeias de automóveis oriundos do território chinês dispararam 30,7% durante o ano de 2025, atingindo um total exato de 1.006.188 veículos. Este crescimento contínuo fez com que a quota de mercado destes modelos na União Europeia subisse para os 7%, um salto significativo face aos 5% registados em 2022.
Em termos financeiros, este fluxo de exportações gerou um valor de 13,72 mil milhões de euros no ano passado, o que representa um aumento homólogo de 4%. Em sentido inverso, o cenário para os fabricantes europeus é de forte retração, com as exportações da União Europeia para a China a sofrerem uma queda acentuada de 43% no mesmo período.
Fabricantes asiáticos tradicionais perdem terreno
Enquanto as marcas chinesas ganham cada vez mais tração, os fabricantes asiáticos mais tradicionais começam a estagnar no mercado europeu. Durante o ano passado, a quota de mercado de marcas da Coreia do Sul e do Japão não foi além dos 3% e 4%, respetivamente.
Esta tendência de abrandamento tornou-se ainda mais evidente no início de 2026. Nos meses de janeiro e fevereiro, fabricantes consolidados como a Hyundai e a Kia registaram uma quebra de 8,4% nas vendas europeias, totalizando 143.457 unidades comercializadas. Por outro lado, a BYD continua a sua escalada impressionante, tendo visto as suas vendas na Europa disparar 162,7% nestes mesmos dois meses, alcançando as 36.069 viaturas.
A transição para os elétricos acessíveis
Toda esta movimentação do mercado reflete uma mudança clara no comportamento dos consumidores europeus, que procuram cada vez mais veículos elétricos de dimensões reduzidas e com preços mais acessíveis. Esta transição estrutural ajudou a impulsionar as vendas globais de carros elétricos na Europa, que cresceram 14,8% nos primeiros dois meses deste ano, atingindo um total de 379.604 unidades vendidas.












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