
A China está a transformar rapidamente o panorama da logística urbana com a adoção em massa de pequenos veículos autónomos focados nas entregas ao domicílio. Alimentados por sistemas avançados de inteligência artificial, estes equipamentos procuram reduzir drasticamente os custos operacionais e colmatar a escassez de mão de obra no setor, segundo os detalhes partilhados num recente artigo da Xinhua News.
Nas ruas de cidades costeiras como Qingdao, a presença destas máquinas já faz parte do quotidiano. Sem qualquer volante, pedais ou espaço para um condutor, os veículos assemelham-se a pequenos contentores quadrados em movimento, ocupando sensivelmente metade do espaço de um automóvel tradicional. O processo é bastante direto para o consumidor: basta digitalizar um código QR na lateral da máquina para destrancar o compartimento e recolher a encomenda. Um dos residentes locais relatou a surpresa com a inovação, destacando que o serviço de entrega teve um custo equivalente a apenas 1,24 euros.
A tecnologia por trás dos novos estafetas digitais
O funcionamento seguro destas unidades na via pública depende fortemente da inteligência artificial. O sistema a bordo é capaz de planear rotas de forma autónoma, monitorizar as condições do trânsito, reconhecer a sinalização luminosa e desviar-se de obstáculos, travando e manobrando para evitar colisões. Atualmente, a cidade de Qingdao destaca-se como um dos maiores polos de utilização desta tecnologia, abrigando cerca de 1150 destes veículos de entrega.
A Neolix posiciona-se como uma das empresas líderes na construção e gestão destas frotas na China. O seu projeto-piloto arrancou em junho do ano passado e os equipamentos revelam características robustas para as exigências diárias. Cada modelo consegue transportar até uma tonelada de carga num espaço de seis metros cúbicos, atingindo uma velocidade máxima de 45 km/h e garantindo uma autonomia de bateria na ordem dos 200 km. Segundo Miao Qiankun, diretor tecnológico da Neolix, a constante evolução dos algoritmos de visão desde 2021 permite hoje que os veículos naveguem no caos urbano com a precisão de um motorista experiente, cortando significativamente as despesas com a captação e atualização de mapas.
Expansão global e impacto na economia local
Até setembro do ano passado, a Neolix já operava mais de 10.000 unidades, ultrapassando as fronteiras chinesas para marcar presença em mais de 15 países, incluindo o Japão, a Coreia do Sul, os Emirados Árabes Unidos e a Alemanha. No território chinês, a adoção expandiu-se e, até junho de 2025, mais de uma centena de cidades já possuía programas-piloto a circular em estradas públicas. O impacto também se faz sentir em zonas remotas, como na Região Autónoma Uigur de Xinjiang. Nestas áreas, as máquinas percorrem percursos de 60 km para entregar apenas duas ou três encomendas, viabilizando rotas que dariam prejuízo num modelo de transporte tradicional.
Do ponto de vista financeiro, Yao Lei, gestor da transportadora Yunda Express, salienta que esta tecnologia reduz os gastos de operação em quase 50%. A aposta é tão forte que o desenvolvimento de veículos inteligentes foi incluído no 15.º Plano Quinquenal da China (2026-2030), sendo classificado como uma indústria estratégica emergente. Li Tiegang, professor na Universidade de Shandong, afasta o receio da perda generalizada de postos de trabalho, argumentando que a automação não serve apenas para substituir a mão de obra humana. O académico defende que o foco é a colaboração entre pessoas e máquinas, um cenário que acabará por gerar novas oportunidades de emprego em setores vitais como a manutenção técnica, as operações e a coordenação de frotas.












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