
As famílias britânicas vão ser incentivadas a consumir mais energia renovável durante este verão para ajudar a equilibrar a rede elétrica do país e reduzir o valor das faturas. Segundo avança o The Guardian, o esquema pretende encorajar a utilização de máquinas de lavar loiça e roupa, ou o carregamento de veículos elétricos, nos momentos em que a produção eólica e solar supera as necessidades do país.
Eletricidade gratuita para absorver os picos de produção
O plano será executado com a ajuda dos fornecedores locais, que poderão optar por oferecer eletricidade com grandes descontos, ou até de forma totalmente gratuita, durante períodos específicos. Isto acontecerá sempre que o operador do sistema elétrico prever um excedente na rede.
O operador de sistema de energia nacional britânico espera que, com a emissão de avisos para o aumento pontual do consumo, consiga evitar os pesados pagamentos normalmente feitos aos parques solares e eólicos para se desligarem quando a procura é baixa. Atualmente, estes custos de inatividade acabam por ser suportados pelos próprios consumidores através das suas faturas mensais.
Faturas agravadas por tensões no Médio Oriente
Esta oferta de eletricidade a custo reduzido surge num momento crítico para as famílias, que se preparam para um aumento do teto máximo das faturas de energia para quase 2000 libras anuais (cerca de 2340 euros) a partir de julho. Esta subida acentuada deve-se ao aumento exponencial dos custos no setor energético desde o início da guerra israelo-americana contra o Irão.
A medida foi delineada pouco antes de uma temporada que promete bater recordes de produção renovável, podendo ser o primeiro verão em que a rede britânica opera de forma totalmente livre de emissões de carbono. A energia solar já atingiu marcas históricas este mês, impulsionada pelo clima primaveril em dois dias consecutivos.
Apesar da abundância de alternativas de baixo carbono, um fim de semana soalheiro e ventoso pode sobrecarregar a infraestrutura em determinadas zonas, aumentando o risco de falhas não planeadas devido a estrangulamentos na rede elétrica britânica. No futuro, as atualizações na infraestrutura deverão facilitar a transmissão das zonas de produção para os maiores centros habitacionais.
Gás natural e o impacto do controlo comercial marítimo
Para além da eletricidade renovável, as previsões indicam que as reservas de gás serão suficientes para suprir as necessidades durante os meses mais quentes. A rede nacional de gás espera depender essencialmente das extrações no Mar do Norte, provenientes do próprio país e da Noruega.
Embora o abastecimento doméstico deva sofrer uma quebra de 6% em comparação com o ano passado, esta descida será compensada pelas importações norueguesas e de gás natural liquefeito a nível global. Contudo, os preços neste mercado dispararam fortemente desde que o Irão assumiu o controlo das exportações no Golfo Pérsico através do Estreito de Ormuz. O operador continuará a monitorizar os impactos deste bloqueio antes da chegada do inverno, altura em que a procura por aquecimento ditará o verdadeiro peso na carteira dos cidadãos.












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