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A integração da inteligência artificial no setor financeiro está a gerar ondas de choque nas estruturas de controlo tradicionais. Para debater esta urgência, os principais líderes da banca, seguros e entidades reguladoras em Portugal reuniram-se em Lisboa. O encontro, focado na gestão de risco e na conformidade, ganha especial relevância com a recente entrada em vigor do AI Act europeu.

O fosso tecnológico nas instituições financeiras

O evento decorreu na Residência Oficial da Embaixadora do Reino Unido e contou com a coorganização da tecnológica Zango AI. A sala juntou pesos pesados como o CMVM, APB, Caixa Geral de Depósitos, Millennium bcp, Banco BPI, Fidelidade e Aegon Santander. O foco da discussão foi claro: as equipas de conformidade estão sob enorme pressão e os métodos de supervisão atuais correm o risco de se tornarem obsoletos.

Lisa Bandari, embaixadora do Reino Unido, sublinhou que a implementação responsável desta tecnologia exige um diálogo constante entre os reguladores e as empresas tecnológicas. O desafio central reside no facto de as clássicas "três linhas de defesa" da banca estarem a ser colocadas à prova pelas novas dinâmicas operacionais.

Ritesh Singhania, líder e cofundador da Zango AI, apontou a principal falha atual do mercado. Segundo o executivo, as equipas focadas na inovação avançam a um ritmo muito superior ao dos departamentos de controlo. Esta discrepância deixa as funções de risco desprotegidas e sem as ferramentas adequadas para acompanhar a adoção das inovações de ponta em toda a organização.

Regulação e ética no centro da nova era

Mais do que debater os problemas, o encontro serviu para desenhar linhas de atuação conjuntas para a transição digital. A supervisão humana foi apontada como um fator inegociável, garantindo que as operações automatizadas mantêm a transparência e a responsabilidade exigidas pelo novo enquadramento da União Europeia.

Adolfo Mesquita Nunes, responsável pela moderação do evento, deixou um aviso claro perante a plateia: a IA nunca é neutra. Uma vez que molda perceções e influencia a tomada de decisão, a sua construção tem de estar ancorada em princípios éticos desde a base, especialmente num ecossistema tão vigiado como o financeiro.

Para tentar preencher esta lacuna, a Zango AI apresenta-se com uma infraestrutura capaz de automatizar as tarefas mais pesadas da área de conformidade, desde a monitorização das regras até à análise de políticas internas. Pedro Sousa, responsável da marca no nosso país, remata que a tecnologia por si só é insuficiente se não existir confiança nas equipas que a operam. A proximidade entre os reguladores e o setor em Portugal é vista como um catalisador vital para liderar esta transformação com sucesso.

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