
A Check Point Research divulgou os seus dados de inteligência de ameaças referentes a março de 2026, revelando um cenário onde Portugal continua sob forte pressão informática. As organizações nacionais enfrentaram uma média de 2051 ciberataques por semana, um valor que coloca o país bem acima da média europeia. Embora se note uma descida global de 5% em relação ao ano passado, os especialistas alertam que a adoção de novas tecnologias e a adaptação das campanhas mantêm o risco num nível historicamente elevado.
Educação e administração pública na mira dos atacantes
No panorama global, o setor da educação continua a ser o alvo principal dos piratas informáticos, sofrendo uma média de 4632 incidentes semanais por cada organização. Logo a seguir encontram-se a administração pública e as telecomunicações. Em Portugal, a tendência é semelhante, com as instituições de ensino, as entidades governamentais e os serviços financeiros a apresentarem níveis de exposição que superam a média global.
Um detalhe que salta à vista nestes dados mais recentes é o aumento de 30% nos ataques dirigidos ao setor do turismo e das viagens. Com a aproximação das épocas de maior movimento, os criminosos estão a concentrar os seus esforços em empresas com grandes volumes de transações e que gerem vastas bases de dados de clientes. A nível regional, a América Latina lidera a tabela de incidentes, enquanto a Europa regista uma média de 1647 ataques semanais. Com os 2051 casos contabilizados em território nacional, Portugal sofre mais 400 ataques por semana do que o resto do continente europeu.
O perigo silencioso da inteligência artificial nas empresas
A adoção rápida de ferramentas tecnológicas modernas trouxe novos desafios para a proteção da privacidade corporativa. A análise mostra que a utilização generalizada da IA está a agravar os riscos de fuga de informação. Atualmente, um em cada 28 comandos inseridos nestas plataformas apresenta um risco elevado de expor dados sensíveis da empresa para o exterior.
Os números demonstram que 91% das organizações que recorrem frequentemente a esta tecnologia já foram impactadas por problemas de controlo de dados. Em média, cada empresa utiliza nove soluções diferentes de geração de conteúdos, com cada funcionário a introduzir cerca de 78 pedidos por mês. Esta integração acelerada nos fluxos de trabalho está claramente a ultrapassar a implementação de regras de segurança adequadas, deixando os sistemas expostos a falhas humanas.
Ransomware volta a ganhar força na Europa
Depois de um ligeiro abrandamento no arranque do trimestre, o ransomware voltou a acelerar em março de 2026, contabilizando 672 ataques divulgados publicamente a nível global. Isto traduz-se num aumento de 7% face ao mês de fevereiro, provando que as redes de extorsão mantêm a sua atividade a todo o gás.
A América do Norte continua a concentrar a maioria das ocorrências, mas a Europa registou um crescimento preocupante no mesmo período. O peso dos incidentes no espaço europeu subiu de 17% em fevereiro para 24% em março, o que indica que os grupos criminosos estão a reposicionar o seu foco para alvos de maior valor no nosso continente. Para combater estas ameaças de forma eficaz, as empresas necessitam de encarar a prevenção não como um acessório, mas como um sistema integrado que reduz a exposição antes do ataque acontecer.







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