
A próxima plataforma de inteligência artificial da NVIDIA, conhecida como Vera Rubin, prepara-se para exigir quantidades de memória LPDDR que ultrapassam a procura combinada de gigantes dos telemóveis. Segundo os dados da Citrini Research, partilhados por Jukan, apenas a componente de CPU de inteligência artificial da plataforma vai necessitar de 6.041 milhões de GB de memória LPDDR em 2027. Este valor impressionante supera a procura total da Apple e da Samsung para dispositivos como o iPhone, iPad, MacBook Neo e toda a linha Galaxy.
O domínio da NVIDIA no mercado de memória
A comparação torna-se ainda mais evidente quando analisamos os números em detalhe. A Apple surge como a maior compradora de LPDDR entre as fabricantes de telemóveis, com 2.966 milhões de GB previstos para 2027. A Samsung ocupa a posição seguinte com 2.724 milhões de GB. Juntas, somam 5.690 milhões de GB, ficando 351 milhões de GB abaixo dos requisitos da NVIDIA para a sua arquitetura Rubin, o equivalente a uma diferença de 6,17%.
Adicionando as fabricantes chinesas Xiaomi com 1.111 milhões de GB, Vivo com 765 milhões de GB e OPPO com 645 milhões de GB à equação, o grupo destas cinco grandes marcas atinge os 8.211 milhões de GB. Isto significa que uma única plataforma da NVIDIA vai equivaler a 73,57% da procura conjunta de todas estas líderes do mercado mobile. Os cálculos da Citrini Research baseiam-se numa estimativa realista para 2027, assumindo 12 GB por dispositivo nas marcas de topo e 8 GB nos equipamentos das fabricantes chinesas.
Impacto nos servidores e nos preços dos telemóveis
O enorme volume de LPDDR exigido pela arquitetura Rubin justifica-se pela sua aplicação em servidores de inteligência artificial, onde o baixo consumo energético e a alta densidade num formato compacto ganharam uma enorme relevância para complementar a famosa memória HBM. A indústria já responde ativamente a esta tendência, com empresas como a Micron e a SK Hynix a prepararem módulos LPDDR5X SOCAMM2 de 256 GB e 192 GB, respetivamente, desenvolvidos especificamente para a plataforma Vera Rubin.
Este cenário de elevada procura na indústria de hardware não se limita à NVIDIA. A AMD também segue a mesma direção com as soluções MI400, Verano e MI455X desenhadas para os bastidores Helios com memória LPDDR5X. Esta forte pressão sobre os fornecedores significa que os componentes que habitualmente alimentavam em exclusivo os telemóveis vão agora ser disputados pelos grandes centros de dados da inteligência artificial. Como consequência direta desta limitação no acesso aos chips de memória, o preço final dos telemóveis em 2028 será mais elevado, ou as margens de lucro das marcas de eletrónica terão inevitavelmente de descer.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!