
Com a reforma dos modelos Model S e Model X, a gama de alto desempenho da Tesla enfrenta uma questão sobre o destino da motorização Plaid. Este sistema de três motores elétricos, que garantiu uma aceleração quase imbatível ao longo de cinco anos, superava a prestação do novo Ferrari Luce de quatro motores, cujo preço ultrapassa os 550 mil euros. Atualmente, a marca não disponibiliza nenhuma versão Plaid nem anunciou planos oficiais para a sua reintrodução.
Contudo, a ideia de transpor esta potência para um veículo mais compacto permanece viva na estrutura interna da empresa. Conforme a informação avançada pelo InsideEVs, o vice-presidente de engenharia de veículos da Tesla, Lars Moravy, admitiu no podcast Ride The Lightning que pensa frequentemente na possibilidade de instalar a motorização Plaid num Model 3. O engenheiro detalhou aspetos complexos do sistema, como a utilização de rotores revestidos por uma manga de fibra de carbono que permite atingir rotações por minuto substancialmente mais elevadas.
Desafios técnicos e lições do passado
A aplicação desta tecnologia de ponta exige considerações que vão além do simples aumento de potência. Lars Moravy explicou que a motorização Plaid foi originalmente criada para o protótipo do Roadster em 2017, tendo sido direcionada para o Model S após a Porsche estabelecer um recorde no circuito de Nürburgring com o Taycan. Essa transição demonstrou que o hardware de suporte é tão crucial quanto a aceleração propriamente dita.
Durante os testes iniciais com os protótipos Plaid, os travões de cerâmica de carbono chegaram a incendiar-se após uma única volta rápida seguida de uma paragem brusca. O modelo de produção inicial chegou sem estes travões especiais, o que evidenciou uma disparidade entre a aceleração maciça e a capacidade de travagem em pista. Para colmatar esta lacuna, a marca disponibilizou posteriormente um kit de atualização com travões de cerâmica de carbono por um valor a rondar os 18 mil euros.
Impacto no peso e viabilidade de produção
Um Model 3 equipado com esta configuração beneficiaria de um peso significativamente inferior ao do antigo Model S Plaid. Embora continuasse a necessitar de travões maiores do que os integrados na atual versão Performance, a tarefa de imobilizar o veículo a altas velocidades seria facilitada pela redução da massa total do automóvel. A versão Performance atual comercializada nos Estados Unidos cumpre a aceleração das 0 às 60 mph em 2,9 segundos, sendo a versão europeia ligeiramente mais lenta, mas uma variante Plaid ofereceria um desempenho totalmente distinto.
Apesar do interesse técnico, a produção comercial depende de uma análise de custo e benefício, descrita pelo responsável de engenharia como uma decisão ponderada face ao tempo de desenvolvimento exigido. Embora a fabricante possua os motores, os emblemas e uma plataforma compatível, Lars Moravy mantém-se reservado quanto à transição para a linha de montagem, ainda que encare o desafio de engenharia com grande entusiasmo.












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