
A Li Auto enfrentou um mês de maio desafiante com uma quebra nas entregas de veículos elétricos. Para contornar a feroz concorrência no mercado chinês, a fabricante prepara uma forte aposta na renovação da sua frota e na expansão para novos continentes.
Segundo os dados revelados pelo CN EV Post, a empresa entregou 33.350 veículos durante o mês de maio, o que representa uma descida de 18,37% em relação ao mesmo período do ano anterior e uma ligeira queda de 2,16% face a abril. Nos primeiros cinco meses de 2026, as entregas acumularam 162.577 unidades, empurrando o total histórico da marca para lá de 1,7 milhões de veículos entregues.
A resposta do mercado aos novos modelos
Apesar dos números gerais apontarem para uma quebra, alguns modelos continuam a demonstrar força de tração. O SUV 100% elétrico Li i6, por exemplo, manteve um ritmo constante com mais de 20.000 unidades entregues mensalmente desde março.
Para revitalizar as vendas, a fabricante iniciou as entregas do renovado Li L9. O impacto inicial parece promissor, com a versão topo de gama Livis a somar mais de 10.000 encomendas firmes em apenas duas semanas após o lançamento. Na reta final de junho, será a vez do Li L8 receber uma atualização importante, abandonando a configuração de seis lugares para apostar num formato mais premium de cinco lugares. O objetivo é evitar canibalizar as vendas do seu irmão mais velho, o Li L9, oferecendo assim um maior espaço para os passageiros traseiros e uma bateria de capacidade superior.
A marca também confirmou a realização de um evento focado na tecnologia durante o mês de junho, onde irá revelar as suas mais recentes inovações nos ecrãs de habitáculo, assistência à condução e o desenvolvimento dos seus próprios processadores.
Pressão financeira e planos para a Europa
A necessidade de renovação surge num momento em que as contas da empresa sofrem o impacto direto de uma agressiva guerra de preços. No primeiro trimestre, a fabricante registou um prejuízo líquido a rondar os 2,3 mil milhões de yuans (cerca de 315 milhões de euros), quebrando um ciclo de rentabilidade positivo. As margens caíram de forma expressiva de 20,5% para 7,9%, refletindo a queda do preço médio de venda. As previsões para o segundo trimestre são conservadoras, ficando a marca atrás das projeções de rivais locais como a Nio e a Xpeng.
Para tentar inverter este cenário, a internacionalização é o próximo passo. O SUV Li i6 está agendado para chegar à Europa na segunda metade do ano. Adicionalmente, mercados com volante à direita, como Hong Kong e Singapura, vão receber o modelo Mega até ao final de 2026, enquanto o Médio Oriente e a Ásia Central aguardam versões exclusivas do Li L9 no terceiro trimestre. A suportar esta operação massiva, a fabricante conta já com 498 lojas físicas e mais de quatro mil estações de carregamento rápido espalhadas pelo seu mercado nativo.












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