
A Google prepara-se para desativar permanentemente o suporte para extensões Manifest V2 no seu navegador, marcando o fim de bloqueadores de anúncios populares como o uBlock Origin, já a partir de 30 de junho. A medida afetará profundamente a forma como o conteúdo é filtrado durante a navegação web.
O lançamento da versão 150 do navegador vai remover as últimas barreiras que ainda permitiam aos utilizadores manter as extensões antigas a funcionar. Um engenheiro da empresa, Devlin Cronin, confirmou que as opções de retrocompatibilidade serão completamente eliminadas do código-fonte. Quando a versão 151 chegar, cerca de quatro semanas depois, não existirá qualquer forma de contornar a situação.
O fim da linha para os bloqueadores dinâmicos
Esta transição para o novo formato Manifest V3 tem vindo a ser preparada desde 2019. A grande diferença técnica reside na eliminação da capacidade das extensões intercetarem e alterarem o tráfego de rede em tempo real. O novo sistema exige que as regras de bloqueio sejam estáticas e enviadas antecipadamente para o sistema analisar.
Para o uBlock Origin, que conta com mais de 40 milhões de utilizadores na plataforma, isto traduz-se na perda da sua arma principal contra publicidade e rastreadores modernos. O seu criador já confirmou que a nova estrutura não permite replicar a funcionalidade total da ferramenta original. Embora exista uma versão mais leve adaptada ao novo formato, esta suporta apenas uma fração das listas de filtragem e não consegue esconder elementos cosméticos nas páginas.
A justificação oficial foca-se na segurança. As extensões tradicionais têm acesso profundo aos pedidos de rede, o que significa que se uma ferramenta for comprometida por piratas informáticos — como aconteceu com a extensão "Save Image As Type" — os atacantes podem roubar dados ou redirecionar o tráfego de forma invisível. O novo paradigma foca-se em evitar este tipo de ataque limitando a ação ao próprio navegador.
Alternativas para os utilizadores afetados
Apesar da componente de segurança, surgem críticas sobre o impacto desta alteração no controlo dos anúncios, especialmente numa altura em que a Google continua a dominar o mercado de publicidade digital e introduz mudanças profundas com inteligência artificial nos resultados de pesquisa. A agência norte-americana de cibersegurança (CISA) chegou a recomendar em 2024 o uso de bloqueadores de anúncios para evitar a instalação inadvertida de software malicioso através de redes de publicidade legítimas.
Para os milhões de internautas afetados, as opções práticas tornam-se limitadas. Quem pretender manter a mesma eficácia de bloqueio terá de considerar alternativas, como o Firefox, que continua a suportar o formato antigo de bloqueio sem restrições. Por outro lado, plataformas como o Brave, que já integram mecanismos de privacidade diretamente no código, evitam depender da estrutura de extensões que agora fica limitada no Google Chrome.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!