
O mercado global de semicondutores enfrenta uma reviravolta invulgar provocada pela forte aposta na inteligência artificial. A enorme escassez de componentes levou a um aumento vertiginoso de 55% a 60% nos preços contratuais das memórias DDR2 durante o segundo trimestre de 2026. Segundo revela uma publicação avançada pelo The Register, com base nos dados da empresa de análise de mercado TrendForce, este cenário invulgar deverá agravar-se no terceiro trimestre do ano, com uma subida adicional prevista entre os 35% e 40%.
Hardware antigo serve de refúgio para os fabricantes
Esta crise de fornecimento está a obrigar os fabricantes de hardware a alterarem os seus projetos tecnológicos e a reduzirem as especificações dos equipamentos para conseguirem garantir stock. Numa tentativa de contornar a falta de componentes no mercado principal, muitas empresas estão a substituir designs que utilizavam DDR4 por memórias DDR3. Por sua vez, a forte pressão sobre a tecnologia DDR3 empurrou outros construtores para o padrão DDR2, uma arquitetura lançada originalmente em 2003.
Embora seja improvável que os processadores modernos de computadores utilizem um padrão tão antigo, esta mudança afeta diretamente os sistemas embutidos, os equipamentos industriais e o hardware de redes. Toda esta cadeia de substituição surge como consequência direta do encarecimento e da falta de disponibilidade em todas as gerações de memórias, afetando o mercado global de forma generalizada.
O impacto da inteligência artificial na produção global
A raiz deste problema reside na estratégia adotada pelas grandes fabricantes de chips, como a Samsung, a SK Hynix e a Micron, desde o final de 2025. Estas empresas optaram por redirecionar a capacidade de produção das suas bolhas de silício para fabricar memórias de alta largura de banda (HBM), destinadas aos centros de dados de inteligência artificial. Como as margens de lucro nestes componentes superam os 70%, a produção de memórias para computadores portáteis e smartphones foi severamente reduzida.
Atualmente, o fornecimento de ram do tipo DDR2 está dependente de poucas empresas, com destaque para as tecnológicas taiwanesas Winbond e ESMT. Enquanto a Winbond está a descontinuar progressivamente este formato antigo para focar em produtos mais rentáveis, a ESMT tenta maximizar a sua capacidade em parceria com a fundição Powerchip, procurando absorver a procura deixada vaga pela concorrência. Embora existam planos de expansão de fábricas para os próximos anos, as soluções não deverão trazer alívio imediato ao mercado de consumo antes de 2027.












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