
A eSafety, entidade responsável pela regulação da segurança online na Austrália, emitiu um duro alerta dirigido aos gigantes tecnológicos devido à falta de esforços no combate à extorsão sexual (sextortion). No relatório divulgado pela comissão, a Apple, a Meta e a Google foram apontadas como algumas das principais empresas que precisam de implementar melhorias urgentes para proteger os utilizadores das suas plataformas, especialmente os mais jovens.
De acordo com as informações avançadas pelo portal TNW, o regulador considera que as medidas atuais de deteção deste tipo de crime informático são manifestamente insuficientes. A chantagem sexual foca-se maioritariamente em adolescentes com idades compreendidas entre os 16 e os 18 anos, afetando mais de 10% desta faixa etária. O cenário agrava-se pelo facto de mais de metade das vítimas relatar que o problema ocorreu antes de atingirem os 16 anos.
Falhas na análise de linguagem e relatórios complexos
O ataque típico de extorsão sexual baseia-se na criação de perfis falsos, onde os criminosos fingem ter a mesma idade da vítima para iniciar conversas de teor fletivo. Em determinado momento, são enviadas imagens explícitas — alegando ser do atacante — para incentivar a partilha mútua. Caso a vítima retribua com fotografias íntimas, começam as ameaças de exposição pública e de envio dos ficheiros a familiares e amigos através das redes sociais, caso não seja pago um resgate.
O relatório da eSafety destaca que os infratores recorrem a guiões bem conhecidos e frases coercivas repetidas em milhares de abordagens. No entanto, as plataformas continuam sem utilizar tecnologias de análise linguística que conseguiriam intercetar estes padrões.
No caso específico da Apple, o regulador defende que a empresa de Cupertino deveria monitorizar estes guiões textuais no serviço iMessage, aplicando uma lógica semelhante à que já usa para identificar o envio de nudez a menores. Adicionalmente, é exigido que a marca simplifique as ferramentas de denúncia para as vítimas.
Falta de categorias dedicadas em serviços populares
As lacunas de segurança persistem numa vasta gama de aplicações populares, incluindo o WhatsApp, o iMessage, o Discord e o Google Messages. O regulador australiano descobriu que algumas destas aplicações nem sequer possuem mecanismos claros para reportar abusos sexuais infantis ou extorsão. Noutros casos, os sistemas de denúncia falham por não disponibilizarem uma categoria específica para este crime, diluindo a gravidade do alerta nos canais de suporte genéricos das empresas.












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