
Uma massiva campanha de publicidade maliciosa (malvertising), apelidada de SourTrade, está a utilizar técnicas avançadas de evasão para infetar investidores de criptomoedas e negociadores de ativos (traders). Em vez de descarregar um ficheiro nocivo já estruturado a partir da rede, a operação instrui os navegadores das vítimas a montarem o código malicioso diretamente na memória do computador.
Segundo um relatório partilhado pela empresa de segurança Confiant, o esquema recorre a páginas falsas que imitam plataformas legítimas como a TradingView, a Luno e a rede Solana. A ameaça, que se encontra ativa desde o final de 2024, já foi localizada em 25 idiomas e afeta utilizadores de 12 países, concentrando-se sobretudo na América Latina e na região da Ásia-Pacífico.
O navegador como linha de montagem local
Para garantir que apenas os alvos reais — investidores particulares — sejam infetados, a campanha SourTrade utiliza um sistema de filtragem rigoroso. Bots de segurança, ferramentas de análise (scanners) e investigadores são redirecionados de forma automática para páginas em branco, camuflando a atividade criminosa.
Quando um utilizador legítimo acede ao portal fraudulento e clica no botão de transferência, entra em ação uma biblioteca ReactJS que prepara o fluxo. O método destaca-se por transformar o próprio browser numa espécie de linha de montagem local. O processo decorre em duas etapas principais:
Registo do Service Worker: A página começa por registar um service worker que atua como gestor de transferências e constrói o ficheiro nocivo de forma incremental.
Ativação do Shared Worker: Em paralelo, é configurado um shared worker que funciona como o motor de processamento. Este módulo solicita à página uma resposta de configuração específica, cujos parâmetros numéricos de semente (seed) e tamanho são gerados de forma aleatória a cada sessão.
Ao rodar estes identificadores únicos, os atacantes asseguram que o executável final gerado no computador da vítima possui uma assinatura digital (hash) exclusiva, conseguindo assim contornar sistemas de segurança baseados em deteção estática. A resposta do servidor não transmite um programa completo, mas sim um modelo explicativo com as instruções necessárias para que o browser junte os bytes locais a uma versão limpa do executável Bun.
Fluxo de infeção e perigos do payload
Após a junção de todas as partes na memória da máquina, a página entrega o executável final ao service worker inicial, forçando uma transferência a partir da mesma origem (same-origin download). Para o sistema operativo e para o navegador, o utilizador está simplesmente a descarregar um ficheiro com origem no domínio visitado. Consequentemente, o Windows atribui a marcação de segurança padrão da web (Mark-of-the-Web), ignorando que os componentes subjacentes vieram de servidores externos.
Os investigadores detalham que a campanha SourTrade utilizava anteriormente o projeto de código aberto StreamSaver, alojado no GitHub, para entregar as ameaças. Contudo, desde abril que os cibercriminosos transitaram em exclusivo para o método de distribuição via ServiceWorker.

Embora o relatório da Confiant não identifique a natureza exata do vírus final desta vaga, os dados recolhidos coincidem com um alerta emitido pela Bitdefender em 2025. Nessa análise a uma campanha semelhante baseada em StreamSaver, descobriu-se que o código possui capacidades altamente intrusivas para quem utiliza soluções digitais:
Interceção e desvio de todo o tráfego de rede da vítima, agindo como um servidor proxy.
Extração e roubo de credenciais de acesso, palavras-passe e cookies guardados.
Registo de teclas premidas (keylogging) e captura contínua do ecrã do utilizador.
Roubo direto de dados de carteiras virtuais e fundos em criptomoedas.
Criação de mecanismos de persistência a longo prazo no sistema infetado.
Como o foco da campanha SourTrade se mantém direcionado para o ecossistema financeiro e criptográfico, os especialistas recomendam que os utilizadores evitem descarregar aplicações através de anúncios em redes sociais ou de resultados patrocinados em motores de busca. Qualquer ficheiro executável deve ser obtido unicamente a partir dos portais oficiais das respetivas marcas, sendo ainda prudente validar a assinatura digital e a identidade do editor do instalador antes de permitir a sua execução no computador.












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