
As pequenas e médias empresas tornaram-se o alvo prioritário dos intermediários que comercializam entradas ilegais em sistemas empresariais. De acordo com um estudo publicado pela Kaspersky, mais de metade das ofertas de acesso inicial colocadas à venda em mercados clandestinos durante os primeiros quatro meses de 2026 pertenciam a organizações de menor dimensão.
A análise desenvolvida pela equipa de Digital Footprint Intelligence comparou anúncios do ecossistema cibercriminoso divulgados entre janeiro e abril de 2025 e no mesmo período de 2026. Os dados revelam que as pequenas empresas concentraram 40% de todas as ofertas de acesso inicial registadas na dark web, superando grandes corporações e entidades sem fins lucrativos. As empresas de média dimensão responderam por outros 20%, perfazendo o total de 60% focado no segmento empresarial de menor porte.
Intermediários exploram falhas de proteção nas PMEs
Estes intermediários, conhecidos como Initial Access Brokers, negoceiam portas de entrada para redes alegadamente comprometidas. Nas publicações, detalham a localização geográfica, a área de atividade, a faturação da vítima e a tipologia de acesso disponível. Quem adquire estas credenciais utiliza-as para desferir ataques de ransomware, roubar dados confidenciais ou realizar fraudes financeiras.
A atração por estas organizações prende-se com o equilíbrio entre receita e defesa. Ekaterina Beloborodova, analista da equipa de Digital Footprint Intelligence da empresa de cibersegurança, explica que os cibercriminosos visam frequentemente entidades de média dimensão porque geram receitas superiores às pequenas estruturas, mantendo contudo sistemas de proteção inferiores aos das grandes corporações. A especialista recorda que a ideia de que as PMEs não atraem o interesse de atacantes continua a ser um equívoco perigoso.
Europa regista queda no volume de ofertas de acesso
O relatório aponta igualmente mudanças geográficas no comércio de acessos na dark web. Na Europa, verificou-se uma diminuição de 34% no número de publicações face ao período homólogo anterior. Esta quebra é justificada em parte pelo encerramento de um fórum influente da dark web que albergava grande parte destas negociações durante o período em análise.
Em sentido oposto, registaram-se subidas expressivas noutros pontos do globo, nomeadamente no Médio Oriente (+53%), em África (+40%) e na América Latina (+17%). Na região Ásia-Pacífico observou-se uma ligeira redução de -4%, mantendo ainda assim um volume de ameaças elevado pelo segundo ano consecutivo. A investigação reforça que a sensibilização dos colaboradores e o cumprimento estrito de políticas de segurança constituem passos essenciais para mitigar estes riscos.












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