
O CEO da Microsoft, Satya Nadella, emitiu um aviso severo durante o Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça. O líder da gigante tecnológica alertou que a indústria da Inteligência Artificial corre o risco de perder o apoio do público se falhar na entrega de benefícios reais e tangíveis aos utilizadores, uma declaração que surge apenas três semanas após uma defesa controversa do uso da tecnologia.
O custo energético e a "permissão social"
Numa conversa com Larry Fink, CEO da BlackRock, Nadella sublinhou que as empresas de IA podem entrar num território perigoso se a sua tecnologia não provar ser útil, especialmente considerando a quantidade massiva de recursos que consome. Para contextualizar, a gigante de Redmond planeia gastar dezenas de mil milhões de dólares adicionais em centros de dados de IA durante 2026 em todo o mundo, incluindo um projeto controverso em Lowell Charter Township, no Michigan.
O executivo defendeu que a comunidade global tem de chegar a um ponto em que utiliza estas ferramentas para fazer algo que mude efetivamente os resultados para as pessoas, comunidades e indústrias. Caso contrário, Nadella acredita que o setor perderá rapidamente a "permissão social" para consumir recursos escassos, como a energia, apenas para gerar tokens digitais. Além disso, reforçou que a adoção da IA deve alargar-se a todas as indústrias, e não apenas ao setor tecnológico, para evitar a criação de uma bolha especulativa.
A polémica do "Microslop" e o Windows
Esta postura mais pragmática contrasta com o tom utilizado por Nadella numa publicação no seu blog a 29 de dezembro. Na altura, o CEO argumentou que as pessoas deveriam parar de criticar a qualidade da IA e aceitá-la como um "amplificador cognitivo" e uma parte integrante da vida moderna. No entanto, este novo aviso sobre a "permissão social" parece alinhar-se melhor com o crescente ceticismo em relação à inteligência artificial, particularmente a que provém da própria empresa.
Os utilizadores do Windows têm assistido a uma integração forçada do Copilot em praticamente todos os serviços ao longo de 2025. Funcionalidades de IA foram introduzidas no Explorador de Ficheiros, Paint, Bloco de Notas e em todo o Windows 11, muitas vezes sem benefícios claros para o consumidor final. A reação negativa a esta estratégia foi suficientemente severa para popularizar o termo "Microslop" na comunidade, uma crítica viral à qualidade e utilidade destas implementações, conforme detalhado num vídeo do YouTube. Resta saber se este aviso do CEO resultará numa reavaliação da estratégia agressiva da empresa nos seus produtos de consumo.