
A longa novela sobre o futuro do TikTok nos Estados Unidos chegou finalmente ao fim. Após anos de incerteza, batalhas legais e trocas de administração na Casa Branca, foi oficializado o acordo que garante a permanência da aplicação em solo americano, evitando o bloqueio que estava previsto acontecer dentro de dias.
Segundo reportado pela KRDO, um oficial da Casa Branca confirmou que os Estados Unidos e a China finalizaram o negócio para separar as operações americanas da aplicação numa nova entidade. Este consórcio será liderado pelas gigantes tecnológicas Oracle e Silver Lake.
Uma nova estrutura de liderança
A conclusão deste processo surge mesmo a tempo de evitar o prazo limite de 23 de janeiro, estabelecido por uma ordem executiva do Presidente Trump em setembro, que tinha colocado em pausa a lei de "venda ou proibição".
Com este acordo, a nova joint venture foi formalmente estabelecida com uma equipa de liderança definida. Adam Presser, anteriormente chefe de operações e de confiança e segurança da empresa, assume o cargo de CEO. Para lidar com as preocupações de segurança nacional, Will Farrell será o novo Chief Security Officer (CSO).
A estrutura de propriedade sofre alterações significativas:
A ByteDance mantém pouco menos de 20% do negócio nos EUA.
A Oracle, a Silver Lake e a MGX (uma firma de investimento em IA baseada em Abu Dhabi) detêm, cada uma, participações de 15%.
O restante consórcio inclui investidores como a Susquehanna, Dragoneer e o family office de Michael Dell.
A nova entidade será governada por um conselho de administração de sete membros, com maioria americana, focado na proteção de dados, moderação de conteúdo e segurança do algoritmo.
O fim de uma longa batalha política
Este desfecho encerra um capítulo turbulento que atravessou duas administrações presidenciais. Em 2024, o Presidente Biden assinou uma lei que exigia à ByteDance a venda do negócio americano do TikTok ou enfrentaria um banimento. O Supremo Tribunal manteve essa lei em 2025, e a aplicação chegou a ficar "às escuras" brevemente antes de Donald Trump, no seu primeiro dia de mandato, assinar uma ordem executiva para manter a app a funcionar enquanto a sua administração negociava a venda.
O Vice-Presidente JD Vance indicou em setembro que o acordo avaliaria as operações do TikTok nos EUA em cerca de 14 mil milhões de dólares, embora o valor final recebido pela ByteDance permaneça incerto.
O que muda para os utilizadores?
Para os cerca de 170 milhões de americanos que utilizam a plataforma, e para as empresas que dela dependem para publicidade, a mensagem é de continuidade. A empresa comunicou aos seus funcionários que os utilizadores e anunciantes não deverão notar alterações imediatas na experiência da plataforma.
A grande questão técnica — o algoritmo de recomendação — continua a ser um ponto sensível. Embora o acordo preveja a supervisão dos EUA sobre a tecnologia, incluindo requisitos para monitorização e novo treino do algoritmo, os termos específicos de implementação não foram totalmente divulgados.
A Oracle, que já fornecia serviços de dados e computação para o TikTok através do "Project Texas", passa agora a ter um papel de fiscalização ainda mais profundo ao nível do conselho de administração, o que poderá influenciar as futuras políticas de conteúdo da rede social.