
Imagine chegar a casa e encontrar uma conta de eletricidade superior a 500 euros. Este é o cenário que muitos portugueses estão a enfrentar neste momento, devido a problemas informáticos na atualização dos sistemas da Galp. A situação arrasta-se há alguns meses e já levou a dezenas de queixas junto da entidade reguladora.
Segundo avança o Jornal de Negócios, as perturbações no envio das faturas começaram a sentir-se em setembro. O problema reside numa migração tecnológica que a empresa está a realizar para unificar as suas plataformas de contratação e faturação, visando integrar a gestão de eletricidade e gás natural num único sistema.
No entanto, esta mudança técnica resultou num acumular de meses sem cobrança para vários clientes, que agora são confrontados com valores avultados para liquidar de uma só vez. A empresa admite que cerca de 5% da sua base de clientes, maioritariamente do segmento residencial e pequenas empresas, ainda se encontra com faturas em atraso.
Direitos dos consumidores e pagamentos fracionados
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) confirmou já ter recebido cerca de 80 pedidos de intervenção relacionados com este caso. Para quem se depara com estas contas "astronómicas", é importante saber que não é obrigatório liquidar o valor total imediatamente.
A ERSE esclarece que, quando a regularidade da faturação não é cumprida pelo comercializador, este é obrigado a informar o cliente de que o pagamento pode ser fracionado. Ou seja, deve ser criado um plano de pagamentos acordado entre ambas as partes para que o consumidor possa regularizar a dívida de forma faseada, sem o peso financeiro imediato de meses acumulados de energia.
Compensações podem estar a caminho
Para além da flexibilidade no pagamento, o regulador sublinha que "nada impede" a Galp de oferecer compensações adicionais aos clientes afetados pelos transtornos causados. Estas podem traduzir-se em descontos diretos na fatura, vouchers ou outras ofertas comerciais.
Do lado da petrolífera, a garantia é de que todos os clientes afetados foram abrangidos por medidas de mitigação. A Galp afirma que, para além dos planos de pagamento exigidos pelos regulamentos, tem disponibilizado outras soluções voluntárias para minimizar o impacto deste erro técnico na carteira das famílias. A ERSE continua a acompanhar a situação e já solicitou esclarecimentos detalhados à empresa sobre as medidas em curso para resolver definitivamente o problema.










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