
A entrada da nova operadora de telecomunicações em Portugal prometia agitar o mercado com preços competitivos, mas a "lua de mel" parece ter terminado cedo para muitos utilizadores. A DECO (Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor) emitiu um comunicado onde expõe um volume crescente de reclamações dirigidas à DIGI, alertando para problemas que vão desde o apoio ao cliente inexistente até falhas técnicas que deixam os consumidores incontactáveis.
Segundo o alerta emitido pela DECO, as queixas abrangem praticamente todas as fases da relação contratual, revelando fragilidades estruturais na operação da empresa no nosso país.
Instalações fantasma e apoio silencioso
Um dos principais motivos de descontentamento prende-se com as expectativas criadas e não cumpridas. A associação relata situações frequentes onde são fornecidas informações imprecisas sobre a instalação dos serviços. Os consumidores ficam a aguardar técnicos que não aparecem ou datas que são constantemente adiadas, gerando frustração em quem espera ter o serviço ativo em casa.
Para piorar o cenário, quando estes clientes tentam contactar a operadora para obter esclarecimentos, encontram um "muro". O apoio ao cliente é descrito como deficiente, tanto nas lojas físicas como através das linhas telefónicas, onde os tempos de espera são descritos como excessivamente prolongados. Mais grave ainda é a ausência de resposta às reclamações que são formalizadas por escrito, deixando os utilizadores num limbo informativo e sem resolução para os seus problemas.
Portabilidade falhada e dores de cabeça na faturação
A vertente técnica e administrativa também está sob fogo. A DECO tem registo de vários casos onde os prazos legais para a portabilidade dos números não estão a ser cumpridos. Esta falha resulta, muitas vezes, na interrupção total do serviço, deixando os clientes sem o seu número antigo e sem o novo a funcionar. Há relatos de impossibilidade de utilização dos cartões de telemóvel devido à ausência de rede, uma situação que priva os consumidores de comunicações móveis durante longos períodos.
A questão financeira é outro ponto sensível. Com a integração de clientes vindos da NOWO, surgiram denúncias de dupla faturação durante o processo de migração. Além do prejuízo económico imediato, os utilizadores enfrentam enormes dificuldades em corrigir estes valores cobrados indevidamente, transformando uma simples fatura num problema burocrático complexo. Até o cancelamento de contratos tem sido uma "dor de cabeça", marcado por demoras e falta de clareza.
Perante este cenário, a DECO apela à DIGI para que reforce urgentemente os seus canais de contacto e cumpra as obrigações legais, recomendando aos consumidores que formalizem sempre as suas queixas por escrito e guardem comprovativos de todas as interações.












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