
Consideras-te um purista do rock clássico ou um aficionado de jazz, mas decidiste deixar o teu filho escolher uma música do "Baby Shark" ou, num momento de nostalgia, ouviste uma lista de êxitos de Natal fora de época. O resultado? O teu algoritmo de recomendações do Apple Music ficou completamente destruído e, durante as próximas semanas, a plataforma vai assumir que mudaste radicalmente de gosto musical.
Esta é a realidade frustrante apontada por muitos utilizadores do serviço de streaming da Apple. Embora a qualidade de som e a integração no ecossistema sejam de topo, a fragilidade do sistema de recomendações continua a ser o "calcanhar de Aquiles" da plataforma em 2026.
Um deslize e o algoritmo perde o norte
Para quem depende das listas de reprodução com curadoria humana ou apenas da sua biblioteca pessoal, este problema passa despercebido. No entanto, para os utilizadores que valorizam a "Estação Pessoal", a descoberta de novos artistas ou a "New Music Mix" semanal, a experiência pode tornar-se caótica muito rapidamente.
Conforme detalhado numa análise do AppleInsider, o sistema carece de controlos granulares. Se ouvires uma banda sonora de um videojogo ou uma playlist para dormir sem tomar precauções prévias, essas escolhas vão infiltrar-se nas tuas sugestões diárias. Ao contrário de outras plataformas que parecem entender o que é uma "exceção" à regra, o Apple Music tende a levar cada reprodução demasiado a sério, o que obriga os utilizadores a lutar ativamente contra o sistema para recuperar o seu perfil musical.
As soluções manuais não chegam
Atualmente, existem formas de mitigar este problema, mas todas elas colocam um ónus excessivo no utilizador. É possível mergulhar nas Definições e desligar a opção "Usar histórico de reprodução", ou configurar Modos de Foco específicos que desativam o histórico automaticamente (por exemplo, um modo "Trabalho" para música instrumental).
O problema destas soluções é que dependem da memória humana. O algoritmo não quer saber se te esqueceste de ativar o interruptor antes de uma sessão de música infantil; ele vai registar tudo. Uma vez que o dano está feito, o processo de "limpeza" é manual e moroso, exigindo que o utilizador tente treinar novamente a plataforma, sugerindo menos músicas daquele género ou adicionando faixas favoritas à biblioteca para contrabalançar o peso das reproduções indesejadas.
O que falta para a experiência perfeita
A comunidade pede há anos uma solução simples: um botão de "não rastrear" ou "sessão privada" acessível diretamente na interface de reprodução, que permita ouvir um álbum ou género específico sem que isso afete o perfil do utilizador. Outra funcionalidade desejada é a capacidade de bloquear artistas ou géneros inteiros, algo que evitaria o reaparecimento constante de sugestões indesejadas.
Com o avanço da IA e a introdução da Apple Intelligence, seria de esperar que o sistema fosse capaz de distinguir entre o teu gosto musical genuíno e uma reprodução ocasional. No entanto, até que a Apple implemente controlos mais diretos, como a opção de excluir explicitamente certas sessões do histórico, os subscritores terão de continuar a vigiar cuidadosamente o que tocam, sob pena de verem o seu "mix" semanal transformado numa confusão de géneros aleatórios.












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