
A cortina de ferro digital desceu definitivamente sobre as comunicações na Rússia. Numa medida drástica que isola ainda mais o país do resto do mundo digital, as autoridades russas bloquearam o acesso ao WhatsApp, afetando cerca de 100 milhões de utilizadores. A aplicação foi removida do diretório online nacional, sendo efetivamente apagada da internet russa.
Esta ação surge na sequência de avisos emitidos por legisladores em julho de 2025 e cumpre o desejo do governo de migrar a população para uma alternativa controlada pelo estado: uma aplicação chamada "Max", descrita como um clone não encriptado do WeChat. Segundo reporta o Financial Times, esta mudança representa um golpe severo na privacidade dos cidadãos.
O fim da privacidade e a alternativa "Max"
A Meta, empresa mãe do WhatsApp, já reagiu ao bloqueio, classificando-o como um retrocesso histórico. Em comunicado, a gigante tecnológica afirmou que "tentar isolar mais de 100 milhões de pessoas de comunicações privadas e seguras é um passo atrás e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia". A empresa acusa o governo de Moscovo de tentar forçar os utilizadores a adotarem uma app de vigilância estatal.
O contexto para este bloqueio foi preparado ao longo do último ano. A Meta foi designada como uma "organização extremista" na Rússia e Vladimir Putin emitiu uma diretiva para restringir aplicações de comunicação com origem em "países inamigáveis" que aplicaram sanções à Rússia. O governo justifica a promoção da app "Max" como uma medida de proteção contra fraudes e terrorismo, citando o elevado número de burlas no WhatsApp, mas a falta de encriptação na nova plataforma levanta sérias preocupações sobre a vigilância em massa.
Caos nas comunicações e riscos de segurança
O bloqueio não se limitou ao WhatsApp. O governo russo eliminou também o Telegram, uma plataforma amplamente utilizada no país, e apagou as aplicações do Facebook e Instagram. Além disso, o acesso ao YouTube foi reportado como estando degradado, embora não seja claro se a plataforma de vídeo foi totalmente removida.
A restrição ao Telegram, em particular, gerou críticas internas, até mesmo entre aliados de Putin. A app tem sido uma ferramenta vital para os residentes junto às fronteiras com a Ucrânia, servindo como canal primário para alertas de mísseis e drones. O governador de uma destas regiões expressou preocupação de que o abrandamento ou bloqueio do Telegram possa afetar o fluxo de informação crítica caso a situação no terreno se deteriore, colocando a segurança da população civil em risco direto.










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